Filósofo George STEINER: “Estamos a matar os sonhos dos nossos filhos”

O filósofo e ensaísta George Steiner diz, numa entrevista ao El Pais, que “quem não tiver a liberdade de errar na juventude, nunca se tornará um ser humano completo e puro”

Primeiro foi um fax. Ninguém respondeu. Depois, uma carta (sim, aquelas relíquias que consistem num papel escrito e colocado dentro de um envelope). Poucos dias depois, chegou a resposta. Carta por avião com o selo do Royal Mail. Dois meses após a primeira tentativa, o velho professor dizia “sim”, pondo um término à sua proverbial aversão a entrevistas. O professor de Literatura Comparada, o leitor de latim e grego, a eminência de Princeton, Stanford, Genebra e Cambridge; o filho de judeus vienenses que fugiram dos nazis, primeiro para Paris e, em seguida, para Nova Iorque; o filósofo das coisas do ontem, do hoje e do amanhã; o polemista e mitólogo poliglota e autor de livros vitais do pensamento moderno, da História e da semiótica abriu as portas da sua casa, numa manhã chuvosa. Zara, a encantadora mulher de George Steiner (Paris, 1929), traz café e bolos. O professor e os seus 12 mil livros olham o visitante de frente.

Professor Steiner, como está a sua saúde?
Ah, muito mal, infelizmente. Já tenho 88 anos, e a coisa não vai bem. Mas sem problemas, tive e tenho muita sorte na vida.

Quando alguém se sente mal… é inevitável sentir nostalgia dos dias felizes. O senhor foge da nostalgia ou pode ser um refúgio?
Não, a impressão que se tem é de ter deixado de fazer muitas coisas importantes. E de não ter compreendido totalmente até que ponto a velhice é um problema. O que mais me perturba é o medo da demência. Então, para lutar contra isso, todos os dias faço exercícios de memória e atenção.

Quais?
Levanto-me, vou para o meu pequeno estúdio de trabalho e escolho um livro, não importa qual, aleatoriamente, e traduzo uma passagem para cada um dos meus quatro idiomas. Faço isso principalmente para manter a segurança de que conservo o meu caráter poliglota, que é para mim o mais importante, e o que define a minha trajetória e o meu trabalho. Tento fazer isso todos os dias… e parece ajudar.

Traduz para inglês, francês, alemão e italiano…
Isso mesmo.

Continua a ler Parménides todas as manhãs?
Parménides, claro… ou outro filósofo. Ou um poeta. A poesia ajuda-me a concentrar, porque auxilia a memória, e eu, como professor, sempre defendi a memorização. Carrego dentro de mim muita poesia; é, como dizer, as outras vidas da minha vida.

A poesia vive… ou melhor, no mundo de hoje sobrevive. Alguns consideram-na quase suspeita.
Estou enojado com a educação escolar de hoje, que é uma fábrica de incultos sem respeito pela memória. E que não faz nada para que as crianças aprendam as coisas com a memorização. O poema que vive em nós, vive connosco, muda connosco e tem a ver com uma função muito mais profunda do que a do cérebro. Representa a sensibilidade, a personalidade.

É otimista em relação ao futuro da poesia?
Extremamente otimista. Vivemos uma grande época de poesia, especialmente entre os jovens. E, muito lentamente, os meios eletrónicos estão a começar a retroceder. O livro tradicional voltou, as pessoas preferem-no ao Kindle… Preferem pegar num bom livro de poesia em papel e tocá-lo, cheirá-lo, lê-lo. Mas há algo que me preocupa: os jovens já não têm tempo… De ter tempo. Nunca a aceleração quase mecânica das rotinas vitais foi tão forte como hoje. E é preciso ter tempo para procurar tempo. E outra coisa: não há que ter medo do silêncio. O medo das crianças ao silêncio dá-me medo. Apenas o silêncio nos ensina a encontrar o essencial em nós.

O barulho e a pressa… Não acha que vivemos com muita pressa? Como se a vida fosse uma corrida de velocidade e não uma corrida de fundo… Não estamos a educar os nossos filhos com muita pressa?
Deixe-me ampliar esta questão e dizer-lhe isto: estamos a matar os sonhos dos nossos filhos. Quando eu era criança, existia a possibilidade de cometer grandes erros. O ser humano cometeu-os: o fascismo, o nazismo, o comunismo… mas quem não tiver a liberdade de errar na juventude, nunca se tornará um ser humano completo e puro. Os erros e esperanças desfeitas ajudam-nos a completar o estágio adulto. Nós erramos em tudo, no fascismo e no comunismo e, na minha opinião, também no sionismo. Mas é muito mais importante cometer erros do que tentar entender tudo desde o início e de uma só vez. É dramático saber com clareza aos 18 anos o que se tem que fazer.

O senhor fala da utopia e do seu oposto, da ditadura da certeza…
Muitos dizem que as utopias são idiotices. Mas, em qualquer caso, serão idiotices vitais. Um professor que não deixa os seus alunos pensar em utopias e errar é um péssimo professor.

O erro tem má fama nas sociedades utilitárias e competitivas.
O erro é o ponto de partida da criação. Se temos medo de errar, nunca podemos assumir os grandes desafios, os riscos. O erro voltará? É possível, existem alguns sinais. Mas ser jovem hoje em dia não é fácil. O que é que lhes estamos a deixar? Nada. Incluindo a Europa, que já não tem mais nada para lhes oferecer. O dinheiro nunca falou tão alto quanto agora. O cheiro do dinheiro sufoca-nos, e isso não tem nada a ver com o capitalismo ou com o marxismo. A isso soma-se o enorme desprezo dos políticos em relação aos que não têm dinheiro. Para eles, somos apenas uns pobres idiotas. Karl Marx viu isso com bastante antecedência. No entanto, nem Freud nem a psicanálise, com toda sua capacidade de análise dos traços patológicos, foram capazes de compreender nada disso.

Não simpatiza muito com a psicanálise… É o que dá a entender.
A psicanálise é um luxo da burguesia. Para mim, a dignidade humana consiste em ter segredos, e a ideia de pagar a alguém para ouvir os seus segredos e intimidades enoja-me. É como a confissão, mas com um cheque.

Retomemos a questão do poder do dinheiro. Tem alguma explicação válida, de um ponto de vista filosófico, para justificar porque os eleitores, num determinado momento, decidem votar em partidos políticos enfiados até o pescoço na corrupção?
Porque existe uma gigantesca abdicação da política. A política tem perdido terreno no mundo todo, as pessoas já não acreditam nela, e isso é muito perigoso. É Aristóteles quem diz: “Se você não quer entrar na política, na ágora pública, e prefere ficar em sua vida privada, então não se queixe depois de que são os bandidos que governam.”

A velha e tão atual figura da idiotice aristotélica…
Exatamente. Uma figura muito atual. Eu pergunto-me sobre o que ocorrerá com o fenómeno das estruturas políticas em si mesmas. Por todos os lados triunfam o regionalismo, o localismo, o nacionalismo… Quando se vê alguém como Donald Trump ser levado a sério na democracia mais complexa do mundo, tudo é possível.

Como observa uma eventual vitória de Trump?
Isso não vai acontecer. Hillary vai ganhar. Mas será uma vitória triste, porque essa mulher está esgotada, triturada interiormente. E Putin? A violência de alguém como ele parece acalmar as pessoas que deixaram de acreditar na política. Por isso é que o despotismo é o contrário da política.

E a relação entre política e cultura? Como vê isso? Compartilha a sensação – muito pessoal e subjetiva – de que a cultura, no sentido das “artes”, está estancada, ao contrário dos avanços científicos?
É delicado falar sobre isso. Estamos, os dois, numa pequena cidade inglesa como Cambridge, onde, desde o século XII, cada geração produziu gigantes da ciência. Hoje em dia, há 11 prémios Nobel por aqui. Daqui saíram Newton, Darwin, Hawking… Para mim, o símbolo do avanço irrefreável da ciência é Stephen Hawking. Mal consegue mover uma parte de suas sobrancelhas, mas a sua mente levou-nos à extremidade do Universo. Nenhum romancista, dramaturgo, poeta ou artista, nem mesmo Shakespeare, teria ousado inventar um personagem como Stephen Hawking. Bem, se você e eu fôssemos cientistas, o tom da nossa conversa seria outro, seria muito mais otimista, pois hoje todas as semanas a ciência descobre alguma coisa nova. Em contrapartida – e isso que lhe digo é totalmente irracional, e espero estar enganado –, o instinto diz-me que não teremos amanhã nenhum novo Shakespeare, um novo Mozart ou Beethoven, nem um Michelangelo, um Dante ou um Cervantes. Mas eu sei que teremos um novo Newton, um novo Einstein, um novo Darwin… Sem dúvida alguma. Isso assusta-me, porque uma cultura desprovida de grandes obras estéticas é uma cultura pobre. Estamos muito distantes dos gigantes do passado. Espero estar enganado e que o próximo Proust ou Joyce esteja a nascer na casa aqui em frente!

Diferencia a “alta” cultura e a “baixa” cultura, como fazem alguns intelectuais de renome, visivelmente incomodados com formas da cultura popular como a banda desenhada, a arte urbana, o pop ou o rock, para as quais se chegou a criar o rótulo de “civilização do espetáculo”?
Sabe uma coisa: Shakespeare teria adorado a televisão. Ele escreveria para a televisão. E não, eu não faço esse tipo de distinção. O que realmente me entristece é que as pequenas livrarias, os teatros de bairro e as lojas de discos estejam a fechar. Por outro lado, os museus estão cada vez mais cheios, a multidões lotam as grandes exposições, as salas de concerto estão cheias…

Acredita que veremos a morte da cultura como portadora de formas clássicas já batidas, com a sua substituição por outras formas novas?
Talvez a cultura clássica de caráter patriarcal esteja a morrer e que estejam a surgir formas novas, intermediárias, como uma cultura hermafrodita, bissexual, transexual, e para a qual a mulher contribuirá de uma forma muito especial no sentido de se resgatarem os sonhos e as utopias… Por falar em transexuais e bissexuais, certamente Freud não os viu chegar!

Disse uma vez que se arrependia de não ter arriscado no mundo da criação. Isso é uma espinha cravada na garganta?
É verdade. Fiz poesia, mas logo me dei conta de que o que estava a fazer eram versos, e o verso é o maior inimigo da poesia. E eu disse também – e há quem jamais me tenha perdoado por isso – que o maior dos críticos é minúsculo diante de qualquer criador.

Quem não o perdoou por isso? Colegas seus da universidade?
Sim. Na universidade existe uma vaidade descomunal. E cai mal, para eles, que alguém lhes diga claramente que são uns parasitas. Parasitas na juba do leão. O crescente desprezo político pelas humanidades é algo desolador. A Filosofia, a Literatura, a História são cada vez mais marginalizadas nos planos educacionais. Isso também acontece em Inglaterra, embora ainda existam algumas exceções em escolas particulares de elite. Mas o próprio conceito de elite já é inaceitável no discurso democrático. Se você soubesse como era a educação nas escolas inglesas antes de 1914… Ocorre que, entre agosto de 1914 e abril de 1945, cerca de 72 milhões de homens, mulheres e crianças foram massacrados na Europa e no Oeste da Rússia. É um milagre que a Europa ainda exista! E vou-lhe dizer uma coisa em relação a isso: uma civilização que extermina os seus judeus nunca mais conseguirá recuperar aquilo que ela foi antes. Sei que irritarei alguns antissemitas, mas a vida universitária alemã nunca mais foi a mesma sem esses judeus. Uma civilização que mata os seus judeus está a matar o seu próprio futuro. Mas, bem, hoje existem 13 milhões de judeus no mundo, mais do que antes do Holocausto.

Professor Steiner, o que é ser judeu?
O judeu é um homem que, quando lê um livro, o faz com um lápis na mão, porque tem a certeza de que pode escrever um outro melhor.

Como vê o futuro do ser humano? É otimista ou pessimista?
O futuro… Não sei. A profecia é apenas memória ativa, não se pode prever nada, apenas olhar no retrovisor da História e contar para nós mesmos histórias sobre o futuro. Com certeza haverá duas ou três grandes novas descobertas científicas no campo da genética que introduzirão problemas de ordem moral terrivelmente complexos. Por exemplo: permitiremos que se manipulem as células de um feto?

Colocar um travão no avanço científico será também um problema moral…
Exatamente. Que direito nós temos? Eu, por exemplo, sou um partidário muito firme da eutanásia. Nós, os velhos, muitas vezes acabamos destruindo a vida dos mais novos, que têm de ficar a carregar- -nos nas costas. Eu adoraria ter o direito de dizer “Obrigado, foi maravilhoso, mas agora chega.” Esse dia ainda vai chegar. Na Holanda e na Escandinávia, já está quase aprovado… Não temos mais recursos para manter vivas tantas pessoas senis ou mesmo dementes. Isso vai contra a felicidade de muita gente. Não é justo.

Quais os momentos ou factos que mais forjaram a sua maneira de ser? Ter que fugir do nazismo deve ter sido um dos fundamentais…
Vou-lhe dizer algo que vai causar impacto: eu devo tudo a Hitler. As minhas escolas, os meus idiomas, as minhas leituras, as minhas viagens… tudo. Em todos os lugares e situações há coisas a aprender. Nenhum lugar é chato se me dão uma mesa, bom café e alguns livros. Isso é uma pátria. “Nada humano me é alheio.” Porque Heidegger é tão importante para mim? Porque nos ensina que somos os convidados da vida. E temos que aprender a sermos bons convidados. E, como judeu, ter sempre a mala pronta, e se tiver que partir, partir. E não se queixar.

Com as informações de Visão | Borja Hermoso.

Estudar filosofia faz com que o desempenho escolar das crianças melhore, sugere pesquisa

crianças a escutar

Foto: Flickr/Rick&Brenda Beerhorst.

Isabel Moreira | Revista Galileu

Filosofia é o tipo de matéria com a qual a maioria de nós só entra em contato na faculdade. No entanto, um estudo realizado por uma entidade britânica revela que, quanto antes tivermos aulas de filosofia, melhor. Isso porque tais ensinamentos podem fazer com que o desempenho das crianças na escola melhore.

O estudo conduzido pela Education Endowment Foundation (EEF) avaliou os resultados do Philosophy for Children (P4C), um programa cujo objetivo é ensinar o básico de filosofia às crianças. O projeto é utilizado por algumas escolas da Inglaterra e, sua implementação, segundo o The Conversation, tem relação com a melhora do desempenho dos alunos em matérias como matemática e leitura.

O programa foca menos em filósofos específicos e mais na capacidade das crianças de realizarem questionamentos. Elas são estimuladas a participar de discussões, levantando questões como “Será que um coração saudável deveria ser doado para uma pessoa que não cuida de si mesma?” e “É aceitável que as pessoas usem símbolos religiosos no ambiente de trabalho?”.

A EEF analisou os dados de 48 escolas primárias e 1,5 mil estudantes que tiveram as aulas de filosofia, além de outros 1,5 mil que não receberam as aulas no mesmo período, mas no ano seguinte. De acordo com a pesquisa, as crianças que tiveram as aulas primeiro mostraram uma melhora em seus desempenhos quando comparadas às que ainda não tinham contato com filosofia na época.

Os professores também perceberam essa melhora. “O feedback dos professores ao longo dos testes sugere que as sessões de filosofia criaram uma oportunidade de fazer com que os alunos se engajassem e desenvolvessem uma nova forma de pensar, ouvir, falar e argumentar na escola”, explicam os pesquisadores. Eles afirmam que perceberam que as crianças se tornaram mais confiantes e pacientes ao participar dessas atividades.

Os dados indicam ainda que os estudantes mais pobres foram os que mostraram maior progresso durante esse processo. A implementação do programa custa cerca de 30 libras (R$ 156) por criança, com benefícios incríveis.

Com informações da Galileu.

Filósofo Renato Janine Ribeiro será o novo ministro da Educação no Brasil

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Renato Janine RIBEIRO (Araçatuba, São Paulo, 1949) é um professor de filosofia brasileiro. Atualmente é professor-titular da cadeira de Ética e Filosofia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Recebeu o Prêmio Jabuti em 2001, bem como foi condecorado com a Ordem Nacional do Mérito Científico, em 1998, e com a Ordem de Rio Branco, em 2009.

A presidenta da República Dilma Rousseff convidou, nesta sexta-feira (27/3), o professor doutor Renato Janine Ribeiro para assumir o cargo de ministro da Educação, segundo nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República (veja aqui).

A posse do novo ministro será no dia 6 de abril.

Renato Janine RIBEIRO é um filósofo brasileiro conhecido sobretudo por seus trabalhos sobre o pensador inglês Thomas HOBBES, acerca da cultura política nas “sociedades ocidentais dissidentes” (entre as quais inclui o Brasil e a América Latina) e por sua participação no debate político brasileiro.

Desde 1993, é professor titular de Ética e Filosofia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH), onde começou a lecionar em 1975, tendo-se porém afastado do exercício deste cargo em 2004 para assumir a Diretoria de Avaliação da Capes, órgão legalmente incumbido da avaliação e eventual fechamento dos programas de pós-graduação existentes no Brasil, que exerceu até outubro de 2008.

Concluiu o curso universitário de filosofia na USP; depois, fez mestrado na Université de Paris I Pantheon-Sorbonne em 1973. Mais tarde, já de volta ao Brasil, concluiu o seu doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Iniciou-se academicamente trabalhando em cima do pensamento de Thomas HOBBES, e depois abrangeu seus temas, interessando-se por filosofia política.

Veja abaixo, uma recente entrevista do filósofo na Revista Brasileiros onde ele reflete vários aspectos do contexto político. Entre vários temas, ele ressalta que os avanços sociais do governo federal se deram apenas pelo consumo, critica a falta de diálogo da presidenta Dilma Rousseff, o projeto policialesco da oposição, a onipresença do Judiciário e muito mais.

[…]

Renato Janine Ribeiro é um filósofo em sintonia com o seu tempo. Professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo, ele começou a carreira em meados dos anos 1970, estudando o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679). Não demorou a voltar-se para a reflexão e o debate sobre temas da sociedade atual, o que agora faz em diferentes cenários – da academia às redes sociais. Sem negar os avanços sociais registrados nos últimos 12 anos no Brasil, o filósofo lamenta que eles tenham se dado pela via do consumo: “O grande flagelo ético do Brasil é a miséria. Se o PT batesse nessa tecla o tempo todo e dissesse que está combatendo o problema, teria uma imagem ética que poderia sobrepor à discussão de corrupção”.

Em um momento conturbado da política nacional, Janine Ribeiro critica o isolamento da presidenta Dilma Rousseff, o excesso de protagonismo do Judiciário e a postura da oposição: “Há toda uma crônica policial que favorece o PSDB, assim como uma mídia que é simpática aos tucanos e detesta o PT. Isso leva o PSDB a ter um projeto mais policial do que político”. Para o filósofo, a proposta de impeachment só interessa à oposição “e, talvez, a uma parte da mídia”. Seja como for, na sua opinião, o melhor seria Dilma Rousseff terminar o mandato em condições razoáveis: “Qualquer outra coisa, seria dramático”.

Brasileiros – Como o senhor está vendo o momento político?

Renato Janine Ribeiro – Com muita preocupação. As eleições são recentes e pelo menos quatro chefes do poder Executivo estão com problemas sérios. A presidente da República e os governadores de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul têm problema parecido, o descompasso entre o que prometeram e o que estão fazendo. Em São Paulo, a questão é a falta d’água. Alckmin alegou que não faltaria. No Paraná, o caso é mais acentuado, porque o governador realmente entrou em choque com os professores. Organizei inclusive um abaixo-assinado em apoio às universidades estaduais.

Que mudanças o governador Beto Richa está fazendo?

Ele simplesmente cortou o dinheiro. Cortou a transferência de verbas de custeio para algumas das principais universidades do Estado, como a de Londrina. No geral, foram várias medidas. O fato é que, no Paraná, o orçamento não está fechando. De alguma forma, em algum lugar, vai ter de cortar.

E ele acaba de ser reeleito.

Assim como Dilma e Alckmin. São três casos de governantes reeleitos que faltaram com o que prometeram. No Rio Grande do Sul é um pouco diferente, porque o governador José Ivo Sartori é mais um personagem folclórico, que se elegeu em um vazio político. A promessa implícita era de honestidade, mas ele está demonstrando falta de cuidado no gasto público. Um exemplo foi o uso de helicóptero para fazer um passeio. Enfim, são quatro lugares com problema. E o problema se torna candente no Paraná e na esfera federal.

Em São Paulo, a impressão que se tem é que nada pega em Alckmin, como se a crise hídrica fosse descolada da figura do governador.

Isso e os maus indicadores na Educação, na Saúde, em tudo mais. Nada basta para que os paulistas enjoem de um partido que não cumpriu o que prometeu. O PSDB sempre prometeu competência, qualidade de gestão. E depois de 20 anos seguidos de gestão em São Paulo deu esse problema.

Tem uma explicação para isso?

É difícil estabelecer, fora o fato de o Estado de São Paulo ter se tornado muito fortemente antipetista. Nesse sentido, qualquer crítica que tiver cheiro de esquerda é desqualificada. Não pega por uma questão ideológica, contrária ao PT. Qualquer sugestão na direção do PT não é sequer escutada por uma boa parte da população.

Esse fenômeno não ocorre em todo o Brasil? Não há um fortalecimento da direita?

Há o fortalecimento da direita, mas não é igual. No Nordeste, a partir da Bahia, não é assim. No próprio Estado de Minas, que elegeu um governador do PT, não é assim. Esse fenômeno está concentrado sobretudo em São Paulo, no Paraná, em alguns Estados que deram vitória muito clara a Aécio Neves. Não é um fenômeno nacional, embora seja verdade que, mesmo nos Estados em que o PT teve maior votação, uma parte significativa do empresariado é contra o PT.

Como é esse avanço?

A direita tem avançado em boa parte por causa da pouca disposição da esquerda em fazer o enfrentamento de ideias. E isso não se faz postando no Facebook fotos de Hugo Chávez de manhã à noite. A pessoa tem de conquistar quem discorda dela ou está indeciso. Não tem de ficar reforçando a própria turma. Hoje, na política brasileira, tucano fala para tucano, petista fala para petista. Ninguém convence ninguém. Com isso, se destrói um dos elementos básicos da política, que é a persuasão.

O movimento a favor de um impeachment está crescendo de forma perigosa?

O único lugar que as pessoas saíram à rua, em massa, protestando, pressionando, foi o Paraná, contra o governador. Lá, um Estado muito conservador, os professores tiveram, inclusive, a iniciativa de irem à casa dos deputados que eles elegeram e que apoiam Richa para cobrar deles uma posição. O caso federal é bem diferente, porque não tem uma mobilização nas ruas comparada à do Paraná. Pelo menos, não por enquanto. E o segundo ponto é que, a presidenta ou presidente, como quiser, Dilma não deu satisfação a ninguém.

Esse é um problema.

Esse é o grande problema. Porque Richa e os seus, de alguma forma, estão falando. Não convencem, mas estão falando. Agora, no plano federal, o PT não está dando nenhuma satisfação.

É um problema de comunicação ou é deliberado?

Deliberado não é, mas não é apenas uma questão técnica. Assessor ruim eles têm. Isso é óbvio. Só um maluco cumprimentaria a Beija-Flor no perfil oficial da Dilma, como foi feito. Falasse sobre o Carnaval da Bahia, falasse de Norte a Sul. É muito simples. Bastava ter alguma inteligência.

A escola com patrocínio da ditadura de Guiné Equatorial.

Na verdade, é uma concepção de governo que não precisa prestar contas à sociedade. É isso que a Dilma está mostrando. Uma concepção de governo muito inquietante, porque é, no limite, autoritária. Adota as medidas que precisam ser adotadas, mas não explica. E não explica por que prometeu fazer uma coisa e está fazendo o contrário.

É o que aconteceu na reorientação da política econômica?

Isso. Os cortes nos programas sociais também poderiam ter sido explicados. A questão do defeso, da compensação para o pescador no período em que ele não pode trabalhar. Poderia ter explicado que o defeso é alvo de muita fraude. Poderia ter colocado isso mais a público. Não colocou. Não há nenhuma satisfação sendo dada. E os ministros continuam tendo as orelhas puxadas cada vez que falam uma coisa de que ela não gosta. Não há autonomia dos ministros.

De nenhum deles?

Os ministros com mais autonomia são o Joaquim Levy e o Juca Ferreira. O primeiro justamente por ser quase uma intervenção tucana na economia, um símbolo do descumprimento da promessa de campanha. O segundo está em uma pasta para mim fundamental, mas não para o governo, que é o Ministério da Cultura. Mas Juca Ferreira tem força no meio cultural que dá a ele grande autonomia. Como ele maneja um orçamento pequeno, comparado com o resto, provavelmente não vai levar puxão de orelha. Os outros ministros correm o risco de terem a orelha puxada o tempo todo. O que torna difícil para eles irem a público. Vão defender o quê? De repente, muda tudo. Defendem o governo e recebem uma correção de cima.

Ao mesmo tempo, o PMDB parece estar cada vez mais forte, independente, até mesmo chantageando. O vice-presidente Michel Temer já avisou que não tem controle sobre o partido.

São várias coisas. Se Dilma conversasse com Temer e Lula, ela certamente teria mais apoio. A sensação é que a presidente se isolou muito, que ela não conversa com gente de peso. Temer tem peso institucional. O ex-presidente Lula tem a força carismática, a popularidade, inclusive no meio empresarial. Por outro lado, o PMDB conta hoje com os três sucessores constitucionais à Presidência da República: o vice-presidente, o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do Senado Federal. Não se esperava isso. Então, o PMDB está adquirindo força só pelo vazio que o PT está deixando na política. O PT desocupou o espaço que tinha. Não desocupou com Dilma porque ela não gosta de política. O PT começou a esvaziar com Lula.

Quando?

No começo de 2003. Uma das primeiras medidas que Lula fez votar foi a Reforma da Previdência, que nunca foi do programa do PT. Isso levou à saída dos que depois formaram o PSOL. Começou um processo em que o PT parou de ter um discurso, em que o presidente do PT é uma pessoa que fica em segundo, terceiro plano. É mais importante ser ministro de uma pasta secundária do que presidir o PT, ou ser líder do governo no Senado ou na Câmara. Quer dizer, os cargos essencialmente políticos foram sendo esvaziados em favor do ministério.

O que o partido defendia não era compatível com o que é possível fazer no Executivo?

Esse é um dos lados da questão. Mas poderia, ainda assim, explicar o processo, dizendo, por exemplo, que elegeu menos de 20% da Câmara e não pode governar sozinho. Há um discurso óbvio: o governo Lula foi fantástico do ponto de vista da inclusão social. Isso não teria sido possível em uma política de enfrentamento. Se os meus amigos intelectuais tivessem conseguido botar para fora o Henrique Meireles (presidente do Banco Central), Lula não teria durado. O governo dele teria sido uma calamidade. Tudo o que PT fez no governo foi porque Lula amarrou os acordos. Minha questão é que não houve um trabalho político em cima desses acordos. E o ponto político essencial, na verdade, é ético. O PT era o grande partido ético brasileiro. Hoje, o PT conseguiu a fama de ser um partido antiético.

Na verdade, a fama é de ser um partido corrupto.

O PT teria de perceber que toda a inclusão social foi transformada em um grande projeto de consumo. Não se tornou um projeto ético. No século 19, o grande flagelo ético do Brasil era a escravatura. Hoje, o grande flagelo ético é a miséria. Não estou falando nem da pobreza. Um país com milhões de miseráveis é uma droga. Se o PT batesse nessa tecla o tempo todo e dissesse que está combatendo o problema, ele teria uma imagem ética que poderia sobrepor à discussão de corrupção.

O PT bate nessa tecla.

Não do ponto de vista ético. Ele bate nessa tecla do ponto de vista do consumo. Diz que melhorou o consumo das pessoas. A oposição, no discurso dela contra a corrupção, jamais levanta a questão da miséria. Não estou dizendo que a oposição quer a miséria. Mas em nenhum discurso dos líderes da oposição se vê a miséria como uma chaga ética. Para eles, a chaga ética é o desvio de dinheiro. Não parecem estar se ofendendo com a miséria. Esse era um ponto em que o PT poderia bater, mas não faz isso. Ele deixou todo o campo da discussão ética em mãos da oposição.

O PT não perdeu o discurso da ética depois de 2005, do Mensalão? O senhor fala em 2003.

Talvez você tenha razão. Falo em 2003 porque, em primeiro lugar, o PT não deu satisfação nenhuma da mudança de programa, da priorização da Reforma da Previdência. Segundo, o partido tornou-se figurante no projeto lulista. Em 2003, Lula está tomando assento, não dá tempo de fazer uma grande discussão popular. Em 2004 e 2005, tem o Mensalão e ele reage aumentando os programas sociais. Em seguida, vem a cornucópia de votos, o segundo mandato e toda a popularidade que Lula granjeou com os programas sociais. Deste ponto de vista, há uma época áurea, não só para o PT, mas para o Brasil.

Até no protagonismo internacional.

Tudo. Faltou estruturar isso em uma sustentação popular que fosse além do bolso. Acabou ficando muito o bolso. Até porque não dá para cobrar de um partido o que ele não poderia fazer. Fazer o enfrentamento do capital teria sido muito difícil. Agora, o que não deixa de ser meio triste é que houve 12 anos de governo do PT, sem enfrentar jamais o capital.

Sem ao menos negociar.

Negociar, negociou. Nunca houve um enfrentamento de choque. No entanto, esse setor empresarial está muito descontente. Pelo que ouvi dos empresários, o descontentamento inicialmente não era com o PT. Era com Dilma. Tanto que um ano atrás, os empresários poderosos queriam Lula. Não queriam outro. Em 2010, eles queriam Lula. Não sendo Lula, eles preferiam Serra a Dilma porque conheciam Serra. No ano passado, eles preferiam Lula a Dilma. E preferiam Lula a Aécio. Quando Lula não entrou na campanha, eles foram para o outro lado. E Dilma conseguiu, não sei de que maneira, torrar o patrimônio que ela amealhou no segundo turno.

Com um Executivo ausente e um Legislativo que só defende causa própria, o Judiciário está ocupando um espaço desproporcional?

Sim. O Judiciário, as profissões correlatas, a Procuradoria Geral da República, tudo. Há um processo pelo qual muito está sendo decidido por eles. É preocupante porque, em um Estado Democrático, eles devem ter um papel subsidiário. Não essencial. Um exemplo: a Constituição de 1988 é programática. Se um governo decidisse não promover o aumento real do salário mínimo todo ano, poderia ser questionado. É um aspecto que a Constituição propicia. Agora, o Judiciário está indo para questões muito específicas. Ele se beneficia do fato de ser atualmente o poder em última instância. É o que declara tudo.

Até permitiu que um juiz saísse com o Porsche de um réu.

Isso já é uma deformação grande. Há juízes que estão barbarizando. Um prendeu os funcionários da companhia aérea em Imperatriz quando estava atrasado para o embarque, o outro tripudiou a agente de trânsito no Rio de Janeiro. Ele teve o endosso do Tribunal de Justiça do Rio, o que é muito grave. Para a opinião pública, o Tribunal de Justiça proclamou que os juízes são deuses. Há duas profissões com péssima mídia. Juízes e médicos. São as duas profissões que estão com imagem junto à sociedade de gananciosas, de interesseiras, de egoístas, de pouca preocupação com o bem comum. Claro que a maior parte não é assim.

Por que os médicos? Por causa da reação de parte deles quanto ao programa Mais Médicos?

Coincide, mas a questão mesmo são os casos de abuso. Um relato recente foi o de Néli Pereira, jornalista da BandNews FM, que foi a um médico de convênio, em um bom hospital de São Paulo. O médico disse que não iria atendê-la, que não dava para fazer uma consulta boa pelo convênio, que pagava a ele R$ 40 reais. Falou para ela ir no amigo dele, que cobra R$ 700. E aproveitou para pedir para participar do programa dela. Um absurdo. Como um médico dá um malho de 700 paus e ainda acha que a pessoa vai promovê-lo no programa dela? É ser muito sem noção. Esse é um aspecto que está batendo na sociedade brasileira. Há pessoas que não se dão conta do que fazem. Acham normal agir de uma forma antissocial.

Às vezes, soltam a porta em cima da pessoa que está passando. Falta um comportamento ético?

É ético, mas se pode dizer que está faltando o mínimo de boas maneiras, de educação, de percepção do outro. A capacidade de se colocar no lugar do outro sumiu. Esse é um traço que está acontecendo. Quando se tem uma sociedade que só se orienta em direção ao consumo, é difícil estabelecer outra coisa. E acho que o mérito e o fracasso da inclusão social do governo Lula é ter sido basicamente pelo consumo. Por que é um mérito, uma vantagem? Porque pelo consumo se deu bem com o empresariado, com a produção. Quando se inclui pelo consumo, as pessoas compram mais geladeira, mais carne, mais ovo…

E também ficam mais felizes. Em um primeiro momento, elas não tinham geladeira e queriam ter. Faltou um segundo momento?

Acho que deveria ter sido simultâneo. Deveria ter insistido o tempo todo no tema que Dilma adotou – País rico é país sem pobreza. Se fosse usado pra valer, desde o começo do governo Lula, esse tema é um projeto de País. Não é um projeto de bolso. E você teria resultados. Um problema que os tucanos apontam muito, com razão, é o despreparo da mão de obra. Os programas sociais são bons, mas muitas pessoas entraram em uma zona de conforto, em vez de se prepararem para serem melhores trabalhadores.

Qual a saída?

Associar os programas sociais fortemente com educação, com treinamento da mão de obra. Claro que tem o Pronatec, tem programas bons, mas é preciso expandi-los.

O PSDB falou na campanha. Qual teria de ser o papel da oposição hoje?

O PSDB tem um espaço para abraçar a agenda do empreendedorismo. O PSDB está mais para ser um partido do grande capital do que do empreendedor. Não é social-democrata, mas tem um foco mais liberal. O grande espaço deles seria: “Vamos ser liberais”. O ideal seria uma meta do tipo ter dez milhões de empreendedores em quatro anos. O avanço para a economia seria significativo e o partido conseguiria uma base extremamente forte.

Mas como o PSDB está agindo hoje?

Sabe o caminho das rosas e o caminho dos espinhos? O PSDB está procurando o caminho das rosas, que é o mais fácil. E o caminho mais fácil é o quê? Há toda uma crônica policial que os favorece, assim como uma mídia que é simpática a eles e detesta o PT. Isso leva o PSDB a ter um projeto mais policial do que político. Eles estão vendendo para si próprios a ideia de que quase venceram a eleição. E isso os está cegando e os tornando incapazes de fazer uma crítica do que poderiam ter feito e de como atuar hoje. Hoje, está claro o seguinte: como o governo da Dilma foi uma decepção do ponto de vista econômico, então, a política que ela está adotando agora é tucana. Com ressalvas, mas é parecida com a dos tucanos.

Como Lula no primeiro mandato?

Com a diferença de que Lula recebeu uma herança difícil e Dilma pega sua própria herança. Como o Richa. O PSDB poderia ter muitas propostas, ser mais transparente. Um problema sério das campanhas foi o ocultamento de dados fundamentais. No fim das contas, o PSDB concordou com o Bolsa Família. Mas esse programa não é o grande motor das mudanças sociais. O grande motor é o aumento real do salário mínimo. E isso o PSDB iria reduzir, com o argumento bom de que a economia brasileira não comporta elevar o mínimo em termos reais. O PSDB poderia ter entrado nessa discussão depois das eleições.

O PSDB está muito raivoso.

Sim. Porque acha que, se sacudir um pouco a árvore, tudo cai no colo dele.

Há alguma semelhança entre o atual momento e a República do Galeão?

Não chega a ter. O projeto golpista contra o getulismo contou como atores principais a UDN, o empresariado urbano e rural, o governo dos Estados Unidos e os militares. Hoje, os militares não querem o poder. E os setores de direita querem muito pouca interferência estatal. E chamar os militares para não fazer nenhum tipo de intervenção estatal me parece contraditório. Então, os militares estão fora. O governo dos Estados Unidos talvez veja com simpatia a queda de Maduro (Nicolás Maduro, da Venezuela) ou uma derrota do grupo de Cristina (Cristina Kirchner, da Argentina) nas eleições. O Brasil é muito grande para o governo americano se meter em uma aventura. E nem representa nenhuma ameaça a eles. O máximo que aconteceu foi que, em um episódio, a Dilma fechou a cara para eles.

E o empresariado?

Eu me pergunto qual seria a lógica de trocar Joaquim Levy por uma convulsão social. Ele já responde a uma parte substancial das demandas do mercado. Ele talvez seja o único ministro indemissível desse governo. Não apenas porque ele é forte. Se ele se demitir, todos saberão que Dilma não apoiou seu projeto de recomposição da economia. Se eu sou empresário, eu prefiro o Levy a Armínio Fraga, se o preço de o Armínio entrar for um processo complicado deimpeachment, com manifestações na rua, com contramanifestações, greves. Se o governo for mais à direita pelo fruto de um processo não democrático, como aconteceu no Paraguai e em Honduras, haverá fortes riscos de a sociedade entrar em uma crise séria. Isso não é bom para os empresários.

Quem quer o impeachment?

Não vejo vontade de tirar a Dilma do governo, a não ser do próprio PSDB e talvez de setores da mídia. A carta-testamento de Getúlio tem uma parte muito triste afirmando que o povo nunca mais será escravo. Foi. Houve mais 20 anos de ditadura. Hoje, temos uma classe dos mais pobres com muito mais autonomia. O pobre de algumas décadas atrás era mais humilde. Hoje, é muito mais afirmativo.

Qual é sua posição em relação à regulação da mídia?

O que a esquerda tinha de fazer é constituir órgãos de mídia. Nestes 12 anos de governo do PT, não fomos além de uma proliferação de blogs, que alguns chamam de sujos. Alguns são bons; outros são péssimos. Mesmo os melhores não cobrem o que o jornal cobre.

O que a presidenta Dilma pode fazer para afastar a ideia de impeachment?

Dilma deveria fazer política, no sentido de reconquistar o eleitorado. Enquanto a oposição faz coisa de polícia, e não de política, o governo não está fazendo nenhuma das duas coisas. Por que Dilma foi escolhida? Eu sempre tive a convicção de que Patrus Ananias teria muito mais o perfil (para a Presidência), por ser alguém que teve sucesso nas políticas sociais, que já tinha exercido cargos de chefia, ter uma origem no PT mais antiga e circular bem politicamente. Provavelmente, Lula a escolheu porque achou que dos nomes possíveis do PT era a mais próxima do empresariado. Eu pensava que ela iria fazer uma política mais de direita, mais próxima dos empresários.

Por quê?

Dilma não parece ter muita simpatia por um elenco de temas de esquerda. Ela nem tem familiaridade com os termos. Tempos atrás, ela falou sobre opção sexual e não orientação sexual. Um presidente da República que vai falar tem de ser brifado. Nenhum presidente ou chefe tem de saber tudo. Ele tem de saber menos do que cada um de seus ministros. Mas ele tem de fazer política.

Para isso, ele tem de ouvir.

Dizem que ela intervém demais nos ministérios, que não tem muita confiança (nos ministros). Tivemos uma eleição mais alicerçada nos defeitos de um candidato do que nas qualidades do outro. Não foi uma eleição em busca do melhor. E estamos com um problema grande hoje porque não vemos uma saída. Não vejo um horizonte de melhora na disputa política. Mas vamos pensar no que é melhor para o Brasil e não para o PT.

O que é melhor?

Que Dilma termine o mandato em condições razoáveis. Qualquer outra coisa seria dramático. Se Dilma acabar renunciando, ou pior ainda, se sofrer um impeachment, este País vai ficar em um conflito muito grande. Não adianta Temer fazer um governo melhor, porque a temperatura estará aquecida. Mas vamos pensar em 2018. O PT pensa no Lula e o PSDB, pelo visto, vai de Aécio, Serra ou Alckmin. Do quarteto que toma decisões, o único que não deve concorrer é o Fernando Henrique. Beto Richa, que poderia entrar no clube depois de o PSDB ter perdido em Minas, está sob um tiroteio muito forte.

Há risco real de impeachment?

Não temos prévias disso. A única prévia é o governo Collor. Ele foi eleito, assumiu o cargo legitimamente, e acabou ejetado por uma agenda policial. Mas Collor não tinha nenhum apoio de partido ou movimentos e fracassou redondamente. Hoje, há a busca de um pretexto para tirar a Dilma. E ninguém tem argumento policial forte. Estão procurando.

E se encontrarem?

Se encontrarem algum sinal de que ela tampou a corrupção na Petrobras, vai ser feio, muito feio. Mesmo que ela tenha feito isso a contragosto. Mas o problema não é esse. O problema é o descontentamento de uma parte da sociedade. Quem votou nela está meio estupefato, pelo caminho que Dilma tomou e não se sabe se esta medicina mais neoliberal vai funcionar ou não. Outro ponto importante é que parte do PT tem posições conservadoras. Em junho de 2013, o partido condenou os protestos. Em outras condições, o PT nadaria de braçada. É a ideia de Sartre: há sempre razões para se revoltar. A revolta é legítima. Outra coisa: o PT virou o partido que diz em público compreender a corrupção. Isso é muito ruim. Os protestos contra as condições de encarceramento dos empresários saíram mais de pessoas ligadas ao PT do que de partidos de direita.

Tem chance de uma força política nova emergir no Brasil, como ocorreu na Grécia, com o Syriza?

Seria bom demais, mas acho muito difícil. É difícil porque o que se colocou à esquerda do PT, o PSOL, tem falhas sérias de projeto, de programa. Tirando Jean Wyllys e outros poucos, o pessoal não tem faróis muito altos. O nosso sistema tem uma coisa muito boa: o período de campanha eleitoral, sobretudo para presidente, ele destroça quem não tem consistência. Dilma levou três anos de cacete. Aécio levou um ano de porrada. Marina não aguentou dois meses. O fato de se ter um projeto mais ou menos consistente conta. Hoje, não visualizo isso em ninguém. O PT e o PSDB são fracos nesse ponto. Apesar de todas as críticas ao PT, acho o PSDB pior do que o PT, mas eu não gostaria de continuar votando no mal menor.

Link curto para a entrevista: http://brasileiros.com.br/950Xw

Pascal Bruckner, o crítico da felicidade como obrigação

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“Não ser feliz, conforme os padrões dominantes, tornou-se sinônimo de fracasso
e de crise existencial.”

Juremir Machado da Silva

Ensaísta e romancista francês, nascido em 15 de dezembro de 1948, Pascal Bruckner é um escritor consagrado, com mais de 15 livros importantes publicados e traduzidos em vários países. Analista de temas de impacto no cotidiano das sociedades pós-modernas, hipermodernas ou da modernidade tardia, ele só poderia figurar na seleta lista de palestrantes do ciclo Fronteiras do Pensamento, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Bruckner fez parte do chamado grupo dos “novos filósofos”, junto com Alain Finkielkraut, Bernard-Henri Lévy e André Glucksmann, uma turma de pensadores, “filhos de maio de 1968”, que atacou o marxismo, o estruturalismo e os totalitarismos de esquerda e de direita num tempo em que as ditas utopias revolucionárias ainda incendiavam a imaginação de estudantes e de intelectuais dispostos a mudar o mundo.

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Bruckner fez parte do chamado grupo dos “novos filósofos”, junto com Alain Finkielkraut, Bernard-Henri Lévy e André Glucksmann.

Um dos seus temas mais relevantes é o do culto à felicidade. Em A euforia perpétua, ensaio sobre o dever da felicidade (2002), ele investiu contra um dos pilares do senso comum pós-1968: o imperativo categórico, a obrigação de ser feliz, um imaginário que gera frustração e depressão. Essa perspectiva também é sustentada por outro filósofo francês, Gilles Lipovetsky, em A sociedade da decepção (2008), e pelo célebre romancista Michel Houellebecq em Extensão do domínio da luta(2002). Bruckner está em sintonia com o seu tempo e com a sua cultura. Se antes de 1968 as noções de dever e de sacrifício determinavam os comportamentos e produziam infelicidade, depois das revoltas estudantis que abalaram o mundo, impôs-se uma espécie de liberação total e de obrigação de satisfazer todos os desejos. A mídia passou a ter papel determinante na produção e consolidação dessa visão de mundo. Não ser feliz, conforme os padrões dominantes, tornou-se sinônimo de fracasso e de crise existencial.

Bruckner usa a ficção e o ensaio para pensar sobre problemas contemporâneos. Não teme fazer uma ficção ensaística. Já ganhou importantes prêmios literários franceses como o Médicis (1995) e o Renaudot (1997). O que é a felicidade? Como encontrá-la? O que fazer com ela? Pascal Bruckner indica que as pessoas têm dificuldade para definir felicidade, o que as deixa confusas em relação ao que buscar, ficam apáticas depois de conquistar alguma das supostas marcas da felicidade e desenvolvem temores de todo tipo, tornando-se frágeis por medo de perder, de não estar à altura das expectativas sociais e por comparação com outras pessoas pretensamente mais felizes. A felicidade teria passado a ser um atestado de êxito na sociedade. Não ser feliz equivaleria a não ser bem-sucedido, a ser um fracassado.

Outro tema recorrente de Pascal Bruckner é o amor. Em O Paradoxo Amoroso – Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa (2011), ele sustenta que os amantes de hoje sofrem por excesso e não por falta. Quando tudo se torna possível e permitido, diariamente estimulado, a rotina e o tédio espreitam cada romance. Como renovar a experiência afetiva num universo de esgotamento das relações pela banalização dos rituais, dos limites e dos sonhos?

Michel Houellebecq fala na sexualidade como um sistema de hierarquia social. Não é incorreto sugerir que para Pascal Bruckner a felicidade é um sistema implacável de distinção social com forte influência da mídia e da indústria cultural, temas que têm sido estudados pelos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS nas suas investigações de estudos culturais, imaginário e espetacularização da sociedade. O professor Francisco Rüdiger, por exemplo, é autor de O amor na mídia – problemas de legitimação do romantismo tardio (2013), obra na qual aborda a procura incessante das pessoas pelo bem-estar orientado, essa era do terapêutico, do desenvolvimento pessoal, dos manuais de autoajuda e do culto ao corpo perfeito e da obrigação de realizar-se inteiramente. De maneira sutil, Pascal Bruckner relança uma velha questão: tudo na vida se tornou, como denunciava Guy Debord, mercadoria? A felicidade é um produto a ser comprado e consumido?

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REFERÊNCIAS

BRUCKNER, Pascal. A euforia perpétua. Rio de Janeiro: Difel, 2002.
_____ . O Paradoxo Amoroso – Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa. Rio de Janeiro: Difel, 2011.
DEBORD, Guy. A Sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
HOUELLEBECQ, Michel. Extensão do domínio da luta. Porto Alegre: Sulina, 2002.
LIPOVETSKY, Gilles. A sociedade da decepção. Bauru: Manole, 2008.
RÜDIGER, Francisco. O amor na mídia – problemas de legitimação do romantismo tardio. Porto Alegre: Editora da Ufrgs, 2013.

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Juremir Machado da Silva é doutor em Sociologia pela Universidade Sorbonne (Paris V) e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS. Publicou 30 livros individuais, entre os quais A sociedade “midíocre” – passagem ao hiperespetacular, o fim do livro, do direito autoral e da escrita (Porto Alegre: Sulina, 2012).

A atualidade da “Alegoria da Caverna” de Platão

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“Depois disto — prossegui eu — imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no gênero dos tapumes que os homens dos «robertos» [“exibidores de marionetas ou títeres”] colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles“. Livro VII da República (Πολιτεία) de Platão. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, p. 315.

O “Mito da Caverna”, ou “Alegoria da Caverna”, foi escrito pelo filósofo Platão e está contido em “A República”, no livro VII. Os especialistas consideram um dos últimos textos escritos pelo filósofo, antes de sua morte em Atenas no ano de 348/347 a.C. Na alegoria narra-se o diálogo de Sócrates com Glauco e Adimato. É um dos textos mais lidos no mundo filosófico.

Com essa alegoria de redobrado interesse para a iniciação órfica do filósofo, Platão divide basicamente o mundo em duas realidades: a sensível, apercebida pelos sentidos, e a inteligível (o mundo das ideias). O primeiro é o mundo da “imperfeição” e o segundo encontraria toda a verdade possível para o homem. Assim, o filósofo deveria buscar o “mundo das ideias” para que consiga atingir o bem maior para sua vida.

De resto fica a certeza que a Filosofia é, antes de mais nada, é um convite permanente à reflexão.

Curiosidades: Os termos relativos a “caverna” geralmente utilizam a raiz espeleo-, derivada do latim spelaeum, originada do grego σπήλαιον, “caverna”, da mesma raiz da palavra “espelunca“.

E por falar dos «robertos» (que são tão espertos!)…

O filósofo Slavoj Žižek explica discurso de ódio no Brasil

Edgar MORIN: A perda do futuro e a necessidade de identidade.

Toda uma parte do mundo ocidental vive o presente imediato. Mas, quando se faz política no presente imediato, quando não se pensa mais no futuro, não há mais perspectiva ou quando o presente é ruim e infeliz, o que resta?” – Edgar Morin

Edgar MORIN | A perda do futuro e a necessidade de identidade*

Existe um pouco, por todos os lugares, essa reivindicação de identidade que, certa ou errada, teme se afogar. Mas, existe um segundo elemento que explica tudo isso: é a perda do futuro. Por quê? Porque o mundo viveu com a ideia de que o progresso era uma lei histórica, ou seja, que amanhã seria melhor do que hoje. E, talvez, houvesse algumas perturbações, mas essa lei era certa.

Porém, a partir justamente dos anos de 1970, 1980, 1990 parece cada vez mais que o progresso não é certo de jeito nenhum, que os próprios motores do progresso são ambivalentes. Ou seja, que a ciência, que normalmente deve levar o progresso humano e que traz um grande progresso nos conhecimentos, traz também as armas de destruição massiva, que a técnica, ela mesma, produz essas armas de destruição massiva e não produz somente o “assujeitamento” das energias físicas, mas produz também o “assujeitamento” daqueles que trabalham nessas máquinas.

É que a economia, que tem aspectos de desenvolvimento e que traz bens é, ela própria, uma economia que não é controlada, que não é regulada. Ela própria passa por crises. E depois existe também, percebe-se que as guerras de religião que pareciam pertencer ao passado voltam na atualidade. Todos esses fatores parecem indicar que o progresso está minado – já que se acreditava que era a ciência, a razão, a técnica, a economia que iriam guiar a humanidade em direção ao progresso, mas percebe-se a profunda ambivalência desse guia.

A crise do futuro, a crise do progresso. A perda do futuro é muito grave porque, quando se perde a esperança no futuro surge uma sensação de angústia e de neurose. Dessa forma, a crise do futuro, lá onde há um mínimo de presente que pode ser vivido, provoca a retração do presente – é a vida no presente imediato. Toda uma parte do mundo ocidental vive o presente imediato. Mas, quando se faz política no presente imediato, quando não se pensa mais no futuro, não há mais perspectiva, ou então, quando o presente é ruim e infeliz, o que resta?

Então, essa crise de civilização, e não se vê solução, não se vê saída, não se vê remédio, ao contrário, ela continua crescendo, e, finalmente, essa crise é também a crise do planeta, porque o planeta, em todas as megalópoles, se ocidentalizou, seja em Xangai, em São Paulo ou outro lugar, é a crise da humanidade que não chega a nascer, crise da humanidade com a crise do progresso, incerteza do futuro, retorno das religiões.

Assim, eis como se pode situar a tragédia dessa época; e o futuro é desconhecido a partir de agora. Percebe-se, retrospectivamente, que a aventura da humanidade é uma aventura desconhecida.

*Excerto da conferência de Edgar Morin no Fronteiras do Pensamento, 1968-2008: o mundo que eu vi e vivi.

Assista a Edgar Morin No YouTube:
Para uma ética da humanidade
A crise da humanidade

Prefeitura de Porto Alegre abrirá concurso público para professores

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Edital deve ser publicado ainda nesta semana, e provas estão previstas para agosto

A Prefeitura de Porto Alegre acertou os últimos detalhes para a abertura de concurso público para professores. A previsão é que o edital seja publicado ainda nesta semana. As inscrições também devem ser abertas em junho, já as provas ocorrem em agosto.

De acordo com a secretária da Educação da Capital, Cleci Maria Jurach, serão priorizadas as áreas de educação infantil e anos iniciais. Não está prevista a participação de empresas terceirizadas no concurso.

Fonte: ZH, 03/6/2013 – Geral.

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INFORMAÇÕES SOBRE O CONCURSO DE PROFESSOR

Veja informações sobre o último concurso para PROFESSOR da PMPA/RS (Prefeitura Municipal de Porto Alegre):

CP 440 – Professor (Bloco 1)
1. Ensino Fundamental – Anos Iniciais dos Ciclos de Formação / Totalidades Iniciais da Educação de Jovens e Adultos
2. Educação Infantil – Educação Infantil (faixa etária de 0 a 5 anos e 11 meses).

CP 441 – Professor (Bloco 2)
1. Ensino Fundamental e Médio – Teatro
2. Ensino Fundamental e Médio – Artes Visuais
3. Ensino Fundamental e Médio – Música
4. Ensino Fundamental e Médio – Dança
5. Ensino Fundamental – Ciências Físicas, Químicas e Biológicas
6. Ensino Fundamental e Médio – Educação Física – Rede Escolar ou Esporte, Recreação e Lazer
7. Ensino Fundamental e Médio – Filosofia
8. Ensino Fundamental e Médio – Geografia
9. Ensino Fundamental e Médio – História
10. Ensino Fundamental e Médio – Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
11. Ensino Fundamental e Médio – Matemática
12. Ensino Fundamental – Educação da Área de Deficiência Mental
13. Ensino Fundamental – Educação na Área de Deficiência Visual
14. Ensino Médio – Administração e Economia
15. Ensino Médio – Ciências da Computação
16. Ensino Médio – Química
17. Ensino Médio – Física
18. Ensino Médio – Biologia
19. Ensino Médio – Estatística
20. Ensino Fundamental – Ciências Sócio – Históricas

CP 442 – Professor: (Bloco 3)
1. Ensino Fundamental e Médio – Língua Espanhola
2. Ensino Fundamental e Médio – Língua Francesa
3. Ensino Fundamental e Médio – Língua Inglesa
4. Ensino Fundamental e Médio – Língua Italiana
5. Ensino Fundamental – Educação de Surdos

LÍNGUA PORTUGUESA

1. Compreensão e interpretação de textos : Estrutura — relações entre partes do texto e entre textos; Conteúdo — idéias principais e secundárias, relações de sentido entre partes do texto e entre textos; Características de diferentes tipos de textos; Discurso direto e indireto.
2. Semântica: Significação de palavras e expressões; Homonímia, paronímia, sinonímia, antonímia; Uso conotativo e denotativo; Níveis de linguagem;Relações entre língua falada e escrita. Convenções ortográficas: Acentuação das palavras; Grafia das palavras;
3. Morfossintaxe: Estrutura, formação e classificação das palavras; Flexão verbal e nominal; Emprego das diferentes classes gramaticais; Período simples — colocação e emprego dos termos; Período composto — coordenação e subordinação, orações reduzidas e desenvolvidas, emprego dos nexos oracionais; Concordância verbal e nominal; Regência verbal e nominal; Uso do acento indicativo de crase; Pontuação.
4. Fonemas;
5. Grafemas;
6. Dígrafos;
7. Encontros vocálicos e consonantais;
8. Ortografia Oficial;
9. Acentuação Gráfica;
10. Reconhecimento, flexão e emprego de Classes de palavras: Substantivo, Adjetivo, Artigo, Advérbio, Numeral, Pronome, Verbo, Preposição, Conjunções; Flexão Nominal e Verbal;
11. Colocação pronominal;
12. Concordância nominal e verbal;
13. Estrutura do Vocábulo: radicais e afixos;
14. Formação de palavras: composição e derivação;
15. Termos da oração;
16. Tipos de predicação;
17. Estrutura do período: coordenação e subordinação;
18. Nexos oracionais: valor lógico e sintático das conjunções;
19. Interpretação de textos: Variedade de textos e adequação de linguagem;
20. Figuras de Linguagem;
21. Informações literais e inferências;
22. Estruturação do texto: recursos de coesão;
23. Significação contextual de palavras e expressões;
24. Ponto de vista do autor.

PROGRAMA DE ANOS INICIAIS / TOTALIDADES INICIAIS

1. Currículo e as matérias pedagógicas
2. Escola, disciplina e controle
3. Instituição escolar, inclusão e normalização
4. Escola, pedagogia e diferença
5. Alfabetização, letramento e escritas
6. Alfabetização de Adultos
7. A construção do número
8. Educação e Arte
9. Educação e Filosofia
10. Educação e Ciências Naturais
11. Educação e Ciências Sociais
12. Escola e relações de gênero, etnia e sexualidade
13. Educação, política, estética e ética

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

1.Educação Infantil e Relações Sociais Contemporâneas.
1.1. A Escola Pública, o Educador e a Sociedade nas relações educativas infantis.
1.2. Tempos e Espaços: transversalizações e práticas na educação infantil.
1.3. Concepções Teóricas e filosóficas, processos operacionais curriculares e perspectivas futuras da educação infantil.
1.4. As relações sócio-políticas e culturais da escola e dos educadores infantis com a família e comunidade.
1.5. Olhares sobre a infância e a sua história.
1.6. O professor e seu papel no cuidado da infância.
1.7. Recontextualização da Pedagogia da Infância: desconstituindo o modo transmissivo para a construção do modo participativo.
1.8. O Professor e o Brincar .
2. A Criança e a Inclusão na Educação Infantil.
2.1. Diferentes processos e perspectivas do desenvolvimento psico-social, emocional e físico da criança de zero a seis anos e saúde infantil.
2.2. Desenvolvimento da sensibilidade: favorecendo a expressão das diferentes linguagens.
2.3. Comunidade Escolar e as práticas de Educação Escolar Inclusiva.
2.4. Contribuições para o debate sobre o papel da escola infantil na vida social e na cultura.
2.5. Infância, conhecimento e contemporaneidade.
2.6. Produção Cultural e Educação.
3. O Currículo na transformação das Práticas Pedagógicas Cotidianas.
3.1. Aprendizagem escolar e currículo.
3.2. O currículo: cruzamento de práticas.
3.3. Estrutura Social do trabalho profissional e seu poder de mediação no currículo.
3.4. A avaliação: uma ênfase no currículo e na expressão de juízos e decisões dos professores.
3.5. O diário no contexto dos documentos pessoais.
4. Legislação e Educação Infantil.
4.1. Lei Federal n.° 8.069/ 90 – Estatuto da Criança e do Adolescente.
4.2. Lei Federal n.° 9. 394/ 96 – Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
4.3. Parecer Conselho Nacional de Educação n.° 22/ 98 – Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil.
4.4. Resolução Conselho Nacional n.°1/ 99 – Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil.
4.5. Resolução Conselho Municipal de Educação/ Porto Alegre n.° 003/ 2001 – Estabelece Normas para Oferta da Educação Infantil no Sistema Municipal de Porto Alegre.

PROGRAMA DE TEATRO

  • A relação do teatro com a educação nos diferentes momentos históricos da Evolução do espetáculo teatral.
  • As diversas funções do teatro: deleitar, instruir… (o teatro político, o teatro religioso/catequético, o teatro didático), a função social do teatro. O teatro como um templo, um púlpito, um tribunal, uma escola, um espelho da vida.
  • A relação do texto (dramaturgia) com o espetáculo teatral (mice-en-cene).
  • Importantes conceitos relacionados à arte teatral: Mimesis, verossimilhança, catarse, distanciamento crítico, improvisação, teatralidade, espetáculo, performance.
  • Elementos que compõem o espetáculo teatral: Texto, atores, música, cenário, iluminação… O espaço, a ação e o tempo na composição do espetáculo teatral.
  • A recepção do espetáculo teatral: o olhar múltiplo ou olhares plurais que o espectador põe sobre o espetáculo.
  • O papel do teatro na educação escolar.
  • O jogo dramático e o jogo teatral na escola.
  • A improvisação teatral e as aprendizagens.
  • A produção de espetáculos teatrais na escola, as oficinas de teatro.
  • A pedagogia do espectador. O olhar da platéia.
  • A Avaliação em teatro educação.

PROGRAMA DE ARTES VISUAIS

1. Movimentos artísticos nas artes visuais e o ensino da arte.
2. O ensino da arte no Brasil: história e perspectivas atuais.
3. Abordagens conceituais e metodológicas da arte na educação.
4. A construção da linguagem gráfico-plástica na criança e no adolescente.
5. O ensino da arte e o cotidiano escolar.
6. O papel do professor no ensino da arte.

PROGRAMA DE MÚSICA

  • Abordagem analítica, estética e sócio-cultural da música popular e folclórica, nacional e internacional.
  • Manifestações musicais eruditas no Brasil e em diversas culturas do mundo.
  • O folclore musical e a prática docente.
  • Abordagens teóricas em educação musical e cotidiano.
  • Educação musical no Brasil e no mundo: história e perspectivas atuais.
  • Currículos em educação musical.
  • A educação musical e a pesquisa na perspectiva da prática docente.
  • A avaliação em educação musical.

PROGRAMA DE DANÇA

  • A idéia de ensinar dança: contrapontos históricos no Brasil e no mundo, de Platão à Modernidade.
  • O corpo que dança: abordagens contemporâneas para o ensino
  • Criação em dança: procedimentos, poéticas e processos
  • Metodologia do ensino da dança hoje: desafios e perspectivas
  • O aluno de dança: a diversidade cultural na contemporaneidade
  • A dança na escola
  • Dança e cultura popular: fronteiras e trânsitos entre folclore, culturas urbanas e mídia.

PROGRAMA DE CIÊNCIAS FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS

1. Concepções contemporâneas do Ensino das Ciências: inter-relações entre o ensino de Ciências e as diferentes tendências pedagógicas.
2. Histórico do Ensino das Ciências
2.1 Relações e contextos sócio-culturais e econômicos;
2.2 Relações entre o Ensino das Ciências e a concepção de Ciência: a história do desenvolvimento e construção do conhecimento científico, tecnológico, seus procedimentos metodológicos e suas influências no Ensino das Ciências.
3. Metodologia no Ensino das Ciências e a organização da prática educativa.
4. Concepções de conteúdos escolares e critérios de seleção dos conhecimentos da área.
5. Abordagens contextualizadas com enfoque interdisciplinar de questões polêmicas contemporâneas relacionadas às discussões de desequilíbrios ambientais e ecológicos, de qualidade de vida, de saúde pública, das relações entre tecnologia e sociedade e de outras questões recorrentes às ciências, amplamente veiculadas pelos meios de divulgação científica e comunicação social.
6. Ética, Ciência e Desenvolvimento Sustentável.
7. Implicações psicossociais e epistemológicas no Ensino das Ciências.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FÍSICA

1. Corporeidade na Educação Física.
2. A Educação Física e seus espaços de atuação na rede escolar:
2.1 Atividades pré-desportivas e desportivas;
2.2 Recreação dentro do contexto escolar;
2.3. Psicomotricidade;
2.4. Teoria acerca de corporeidade, recreação/lúdico, esportes e história da Educação Física ;
3. Contextualização sócio-cultural da Educação Física Escolar.
4. História da Educação Física;
5. Relação entre Saúde e Educação Física;
6. A Educação Física escolar e o processo de Inclusão/Educação Especial da Rede Municipal;
7. Avaliação na Educação Física Escolar;
8. Diversos discursos da Educação física;

PROGRAMA DE FILOSOFIA

1. O que é Filosofia?
2. História da Filosofia.
3. Correntes filosóficas: pré-socráticos, idealismo, materialismo, positivismo, existencialismo, fenomenologia, hermenêutica, dialética, estruturalismo e pós-estruturalismo.
4. Filosofia da Diferença e Educação: a filosofia como arte de criar conceitos
4.1 Filosofia e Linguagem: a virada lingüística
4.2 Filosofia e a Genealogia
5. Filosofia da Educação: teorias da educação e ensino de filosofia

PROGRAMA DE GEOGRAFIA

1. O ensino de Geografia
2. História do pensamento geográfico
3. Conceitos fundamentais da Geografia: espaço/tempo, territorialidade, região, paisagem e ambiente
4. As diferentes leituras do espaço
5. Dinâmica climática e geomorfológica: paisagens naturais e interferências antrópicas
6. Atividades sociais no ambiente: conexões, relações e transformações
7. Mudanças locais/globais e impactos ambientais
8. Crescimento e mobilidade da população: o estudo da diversidade étnica, cultural, política, de gênero e a desnaturalização de padrões
9. As relações sócio-econômicas e políticas no urbano/rural: análises regionais dos processos de territorialização, desterritorialização e reterritorialização
10. A sociedade em rede: mudanças nos limites e fronteiras.

PROGRAMA DE HISTÓRIA

1. A ciência histórica, suas diversas abordagens teóricas e metodológicas e seus desdobramentos didático-pedagógicos.
2. Hominização e ocupação humana dos continentes
3. O Oriente Próximo e as primeiras civilizações urbanas.
4. A Europa Clássica e Medieval.
5. A África e as antigas civilizações: Egito e outros reinos africanos.
6. A América e as antigas civilizações: Meso-América, América Andina e populações nômades do continente.
7. A expansão européia e suas relações com a América, a África e a Ásia.
8. O Brasil Colonial no contexto da expansão capitalista.
9. História do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre: ocupação do território.
10. As Revoluções Burguesas, a Industrialização e a transformação do Sistema Colonial.
11. O crescimento industrial europeu e norte-americano e a dependência latino-americana.
12. A formação histórica do Estado brasileiro: Monarquia e República.
13. História do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre: processo políticos, sociais e econômicos a partir do século XIX
14. Capitalismo e crise mundial na primeira metade do século XX.
15. A descolonização, a África e a Ásia contemporâneas.
16. Globalização financeira, relações internacionais e o mundo contemporâneo.

PROGRAMA DE LÍNGUA ESPANHOLA

1. Situações comunicativas como pedidos, desculpas, manifestações profissionais e pessoais.
2. Compreensão e interpretação de textos.
2.1 Análise e Interpretação de textos jornalísticos, científicos e literários;
3. Semântica e expressões idiomáticas.
4. Conteúdos gramaticais e sintaxe
4.1.1 A estrutura do grupo nominal
4.2.1 Substantivo;
4.2.2 Os determinantes: Artigos, Demonstrativos, Possessivos, quantificador numeral ou indefinido;
4.2.3 Os pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, quantificadores, relativos.
4.3 O verbo
4.3.1 Variações (pessoas, número, tempo, modo, voz);
4.3.2 Formas pessoais e não pessoais;
4.3.3 Conjugação verbos regulares e irregulares;
4.3.4 As perífrases verbais (de obrigação, de dúvida, ou possibilidade; ESTAR+GERUNDIO; IR+INFINITIVO);
4.3.5 Complemento direto, indireto e circunstancial;
4.3.6 O advérbio, a preposição, a conjunção e a interjeição: suas funções em todas suas formas.
4.3.7 A oração
4.3.8 Tipos de orações segundo a atitude de quem fala;
Orações compostas coordenadas, justapostas e compostas subordinadas (substantivas, relativas e adverbiais).
5. A didática de ensino da Língua Espanhola.

PROGRAMA DE LÍNGUA FRANCESA

1. Interpretação e compreensão do conteúdo de textos de expressão de cultura francófonas.
2. Abordagem sintática e semântica contextualizada em textos e diálogos.
3. Conhecimentos gramaticais, tais como, formas e usos do nome, pronome, do artigo, do verbo, da
preposição, da conjunção, do advérbio.
4. Leitura e produção das estruturas lingüístico-discursivas
4.1 Noções de causa, conseqüência, hipótese, oposição, concessão, condição, adição, comparação, tempo e lugar;
4.2 Atos de fala: identificação, descrição, narração, pedido, agradecimento, ordem, opinião, proposição e argumentação.
5. Recursos didáticos do Francês como Língua Estrangeira – FLE.

PROGRAMA DE LÍNGUA INGLESA

1. Interpretação textual, gêneros e tipos de composição.
2. A organização textual e a produção de sentido.
3. Recursos lingüísticos construtores de sentido: anafóricos, dêiticos, conectores, nominalizações e operadores argumentativos.
4. Coesão e coerência textuais.
5. Enunciados e sua significação: pressupostos, subentendidos e implícitos.
6. Significação lexical, relações de sentido e campos semânticos.
7. Gramática da língua: formação de palavras, artigos, possessivos, demonstrativos e quantificadores.  Substantivos contáveis e incontáveis. Adjetivos: ordem, posição e comparação. Advérbios: posição, tipos. Preposições, pronomes
8. Tempos e modos verbais: Infinitivo: formas, usos, complementos. Verbos seguidos de preposições ou partículas (phrasal verbs, two-word verbs).
9. Estruturas frásicas: negativas e interrogativas.
10. Coordenação e subordinação, além das construções passivas.
11. Formas do discurso.
12. Recursos didáticos do ensino de English Foreing Langage – EFL.

PROGRAMA DE LÍNGUA ITALIANA

1.Emprego da língua italiana em contextos quotidianos escolares, sobretudo na apresentação de si mesmo, dos seus dados pessoais.
2.Em contexto de interação, saber iniciar e finalizar uma conversa, na rotina especialmente escolar;
3.Discorrer na língua alvo empregando os diferentes tipos de composição: descrição, narração e
dissertação nos diferentes modos e tempos verbais, com as devidas preposições articuladas;
4.Apresentar e apresentar-se, caracterizando perfis psicológicos e físicos, com riqueza vocabular e estrutural;
5.Entendimento de textos autênticos em sua interpretação oral e escritos, além da produção de diferentes textos igualmente orais e escritos.
6.Conhecimento da cultura italiana, não unicamente a eurocêntrica, mas na perspectiva da cultura italiana nas Américas.

PROGRAMA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

1. As questões de Língua Portuguesa têm como objetivo a avaliação da leitura, compreensão e interpretação da capacidade de reflexão sobre os fatos da língua.
Serão privilegiados os seguintes aspectos:

  • leitura e compreensão de textos:
  • estrutura de textos e de parágrafos relação entre as idéias do texto: oposição, semelhança, causa e conseqüência
  • variedades de textos e de linguagens denotação e conotação de palavras
  • processos de formação de palavras
  • campos semânticos e lexicais
  • sistema ortográfico oficial vigente
  • emprego das classes gramaticais
  • vozes verbais e sua conversão
  • concordância verbal e nominal
  • regência verbal e nominal
  • emprego do acento indicativo de crase
  • colocação de termos e orações no período
  • processos de coordenação e de subordinação
  • pontuação

2. As questões de Literatura Brasileira visam a avaliar os conhecimentos da História da Literatura Brasileira mediante a análise dos textos, a identificação de autores e obras e sua inserção na cultura brasileira.
Serão privilegiados os seguintes aspectos:

  • o contexto histórico e cultural
  • as correlações temáticas e estilísticas entre obras, autores e períodos literários
  • as correlações entre a Literatura Brasileira e os grandes momentos da tradição literária ocidental, em
  • geral, e da tradição literária portuguesa em particular

PROGRAMA DE MATEMÁTICA

1. Educação Matemática: pressupostos teórico-metodológicos.
2. A Produção Histórico-Cultural do Conhecimento Matemático.
3. Teoria dos Conjuntos.
4. Noções de Raciocínio Lógico: compreensão de estruturas lógicas; lógica de argumentação.
5. Conjuntos Numéricos: conceito, representação, ordenação; operações, propriedades.
6. Relações; Funções e Equações Polinomiais e Transcendentes (exponenciais, logarítmicas e trigonométricas).
7. Estatística Elementar.
8. Noções de Matemática Financeira.
9. Probabilidade Básica e Análise Combinatória.
10. Matrizes, Determinantes e Sistemas Lineares.
11. Geometria Plana: aplicações do Teorema de Tales; aplicações do Teorema de Pitágoras; perímetro e área das principais figuras geométricas.
12. Geometria Espacial: áreas e volumes.
13. Geometria Analítica Plana.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE SURDOS

1. Políticas públicas educacionais brasileiras na área da Educação de Surdos.
2. História da pedagogia da surdez.
3. Modelos conceituais sobre a surdez e os surdos (o modelo clínico-terapêutico e sócio-antropológico).
4. Aquisição e desenvolvimento da linguagem em crianças surdas (incluindo língua escrita, português, língua de sinais e escrita dos sinais).
5. Desenvolvimento cognitivo nas crianças surdas, incluindo questões neuropsicológicas.
6. Abordagens pedagógicas na área da surdez: oralismo, comunicação total, bilingüismo.
7. Escolarização e educação de surdos: escola regular, escola especial, projetos individuais, projetos comunitários.
8.Estudos lingüísticos sobre a língua de sinais brasileira.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO NA ÁREA DE DEFICIÊNCIA MENTAL

1. História da Educação Especial.
2. Legislação e Políticas Públicas.
3. Teorias de aprendizagem.
4. Processos de aprendizagem e procedimentos de ensino.
5. Propostas contemporâneas de intervenção educacional.
6. Paradigmas da Educação Especial.
7. Perspectivas atuais em Educação e em Educação Especial.
8. Educação inclusiva: conceitos, princípios e história.
9. Formação de professores.
10. A escola e os espaços da educação.
11. Tecnologia Assistiva
12. Conceitos, características, mitos, identificação e atendimento em Altas Habilidades.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO NA ÁREA DE DEFICIÊNCIA VISUAL

1. Braille: o Sistema Braille: escrita, leitura e transcrição de texto.
2. Cegueira/baixa visão: diferenciação entre cegueira e baixa visão, com abordagem nas características e necessidades dos sujeitos que a possuem.
3. Código Matemático Unificado: aplicação da sua normalização e simbologia.
4. Educação Física para pessoas com deficiência visual: sua importância e necessidade no desenvolvimento e inclusão da pessoa com deficiência visual.
5. Estimulação Precoce: o desenvolvimento global e as defasagens apresentadas pela criança com deficiência visual, assim como a relação com seus pais e os demais componentes do seu meio.
6. Inclusão Escolar: o processo inclusivo do aluno cego ou com baixa visão na rede regular de ensino.
7. Informática: o Sistema Operacional DOSVOX e o “SOFTWARE” Virtual Vision, interfaces entre a pessoa cega e o computador.
8. Orientação e Mobilidade: seus conceitos, importância e necessidade no cotidiano da pessoa com deficiência visual, incluindo suas estratégias e metodologia.
9. Legislação: leis e diretrizes que abordam a Educação Especial e o acesso da pessoa com deficiência visual ao mercado de trabalho.
10. Sorobã: ábaco adaptado para o uso de deficientes visuais: sua estrutura, análise e compreensão do aparelho, realização das quatro operações fundamentais pela metodologia indicada pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia.

PROGRAMA DE ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA

1.Evolução do pensamento Administrativo
a. Abordagens da Administração: Clássica, Das Relações Humanas, Weberiana, Estruturalista, Comportamental, Neoclássica, Sistêmica e Contingencial; b. Tendências contemporâneas nas teorias organizacionais: práticas administrativas, responsabilidade social, gestão por competências, gestão ambiental.
2.Teoria Geral da Administração
a. Planejamento: Tipos, Objetivos, Processos, Estratégias e Táticas;
b. Organização: formal e informal, centralização e descentralização, diferenciação e integração. Departamentalização e necessidade de integração. Amplitude administrativa e delegação de autoridade. Tipologias Organizacionais;
c. Direção: Estilos, Teorias sobre motivação (Taylor, Herzberg e Maslow). A Liderança e a Comunicação;
d. Controle: Fases do Controle, Tipos de Controle (material e humano, reativo e proativo);
e. O Controle da Qualidade Total; Processos de Qualidade Gerenciamento da qualidade e abordagens contemporâneas para busca de excelência.
f. Administração, o ambiente em mudança e o futuro administrativo.
g. Cultura Organizacional e Comportamento Organizacional: Conflito, Poder, Liderança, Comunicação, Motivação e Mudança.
3.Gestão de pessoas:
a. princípios, práticas, estratégias e tendências no contexto organizacional;
b. Gerenciamento de equipes
c. Técnicas de Recrutamento de Pessoal; Seleção de Pessoal
d. Mercado de Trabalho e Mercado de Recursos Humanos;
e. Treinamento e Desenvolvimento de Pessoal.
4.Teoria Econômica e Economia Políticas
a. Ciência e critérios de explicação científica. A Escola Clássica. A Escola Neoclássica. O Pensamento Marxiano. Keynes e o Keynesianlsmo. Kaleckí e o Princípio da Demanda Efetiva. O neo-liberalismo e a questão da globalização.
5.Microeconomia
a. Teoria do Consumidor: Preferências do Consumidor. Maximização de Utilidade. Funções de Consumo. O Equilíbrio do Consumidor. Modificações na Posição de equilíbrio. Bens normais, Superiores e Inferiores; b. Propriedades da Curva de Demanda. Elasticidade da Demanda (renda, preço e cruzada); c. Teoria de Firme: Principio de Maximização de Lucro. Descrição da Tecnologia. Retornos de Escala. Firma Competitiva. Curvas de Custos Médio e Marginal. Curvas de Custo de Curto e Longo Prazos. Funções de Custos e de Lucro. Propriedades das Curvas de Oferta de Produto e de Demanda por Fatores.
6. Macroeconomia: a. Sistema Monetário: Origem, Funções e formas de Moeda. O Sistema Monetário e os Meios de Pagamento. Conte o Sistema Monetário. Criação e Destruição de Base Monetária e Meios de Pagamento. Multiplicador Bancário. Orçamento e Política Monetária; b. Balanço de Pagamentos: Estrutura do Balanço de Pagamentos. Tópicos Especiais e Variações da Reservas Internacionais. Saldo em Conta Corrente. Ciclo da Dívida. Dinâmica da Absorção. Regimes Cambiais. Ajuste do Balanço de Pagamentos. O Sistema Monetário Internacional; c. Contas Nacionais: Conceitos Básicos. O Sistema de Contas Nacionais. Déficit Público e seu Financiamento. Contas Nacionais do Brasil. imposto inflacionário e Transferências inflacionárias rio Brasil;

7. Contabilidade Geral
a. Estudo do Patrimônio: conceito, aspectos do patrimônio, componentes do patrimônio, estrutura básica do patrimônio, origens e aplicações de recursos, ativo, passivo, patrimônio líquido, equação fundamental do patrimônio, situações do patrimônio líquido e noções de capital; b. Demonstrações financeiras: exercício social, balanço patrimonial: ativo, passivo de acordo com a Lei das Sociedades por ações (Lei n.º 6404/76); Demonstração do resultado do exercício: conceito, receita bruta, deduções de vendas, receita líquida, lucro bruto, despesas operacionais, resultado operacional, despesas e receitas não operacionais, resultado antes do imposto de renda e da contribuição social e lucro líquido do exercício; c. Teoria da escrituração: regimes de escrituração contábil, elementos básicos da escrituração, lançamentos de operações comerciais.

PROGRAMA DE CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO

1. ARQUITETURA DE COMPUTADORES: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DO HARDWARE E SOFTWARE; OS COMPONENTES – SUAS FUNÇÕES E COMPATIBILIDADES; CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS OPERACIONAIS.
2. REDES: CONCEITOS, SERVIÇOS E TERMINOLOGIAS DE REDES DE COMPUTADORES; ARQUITETURA INTERNET; PROTOCOLOS; ATIVOS DE REDES.
3. LÓGICA DA PROGRAMAÇÃO E ALGORITMOS: introdução e conceitos; estruturas de controles; subrotinas; técnicas de programação; programação estruturada; matrizes e vetores.
4. PROGRAMAÇÃO: C, C++, Delphi e Pascal: origens da linguagem, expressões, comandos, funções, estruturas e biblioteca padrão.
5. BANCO DE DADOS: linguagem SQL: história, importância, funções, vantagens e desvantagens.
6. APLICATIVOS: editores de texto, apresentação e planilhas; gerenciadores de e-mail.
7. INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: abordagem histórica; integração da tecnologia às propostas pedagógicas; softwares educacionais.

PROGRAMA DE QUÍMICA

1. Estrutura atômica, ligações químicas.
2. Reações químicas.
3. Gases, lei de Clayperon.
4. Cinética química.
5. Termodinâmica química.
6. Química orgânica e inorgânica.
7. Ácidos e bases.
8. Quimica Orgânica.
9. Nomenclatura dos compostos.
10. Eletroquímica.

PROGRAMA DE FÍSICA

1. Sistemas de unidades e medidas.
2. Cinemática escalar.
3. Cinemática vetorial: vetores, álgebra vetorial, velocidade e aceleração vetoriais, movimento circular uniforme (MCU), lançamento horizontal e lançamento oblíquo.
4. Dinâmica – as leis de Newton.
5. Trabalho Energia e sua conservação.
6. Impulso, quantidade de movimento e colisões
7. Gravitação Universal
8. Estática do ponto material e do corpo extenso.
9. Hidrostática
10. Oscilações
11. Ondas Oscilações
12. Óptica Geométrica
13. Termodinâmica
14. Eletricidade e Eletromagnetismo
15. Física Moderna

PROGRAMA DE BIOLOGIA

1.A Vida no Nível da Célula
2.A Continuidade da Vida
3.A Diversidade da Vida
3.1 Vírus: Estruturas, ciclo de vida e patologias relacionadas.
3.2 Monera, Protista e Fungi
3.3 Plantas
3.3.1 Características gerais dos principais grupos de plantas;
3.3.2 Evolução das plantas e adaptações morfológicas e reprodutivas ao ambiente ;
3.3.3 Organização morfológica básica, crescimento, desenvolvimento e reprodução das Angiospermas.
3.4 Animais
3.4.1 Características gerais e hábitats dos principais grupos de animais;
3.4.2 Animais parasitas do ser humano: ciclos de vida e medidas profiláticas;
3.4.3 Animais urbanos e suas relações com os humanos;
3.4.4 Estrutura básica e fisiologia dos sistemas do corpo humano;
3.4.5 Nutrição e desnutrição;
3.4.6 Reprodução Humana e regulação neuro-endócrina;
3.4.7 Doenças sexualmente transmissíveis;
4.Os Seres Vivos e o Ambiente
4.1 Populações, comunidades e ecossistemas
4.1.1 Características gerais dos principais tipos de ecossistemas brasileiros.
4.2 Ecologia humana
4.2.1 As atividades humanas e as alterações provocadas nos ecossistemas;
4.2.2 A utilização dos recursos naturais;
4.2.3 O problema da geração de resíduos sólidos em excesso: a reciclagem e o tratamento adequado dos resíduos e seus efluentes;
4.2.4 O problema do esgoto e o tratamento da água;
4.2.5 A genética e clonagem: aspectos éticos, ecológicos e econômicos;
4.2.6 Saúde: indicadores; determinantes sociais; a importância do controle ambiental, do saneamento básico, da vigilância sanitária e epidemiológica e dos serviços de assistência à saúde;

PROGRAMA DE ESTATÍSTICA

1. Conceitos básicos
1.1 População e amostra. Censo e amostragem. Parâmetros e estatísticas;
1.2 Níveis de mensuração;
1.3 Variáveis: quantitativas e qualitativas; discretas e contínuas;
1.4 Tipos de Amostras: amostra aleatória simples; estratificada e sistemática.
2. Organização e apresentação de dados
2.1 Tabelas;
2.2 Séries estatísticas;
2.3 Distribuições de freqüências;
2.4 Freqüências relativas e acumuladas;
2.5 Gráficos.
3. Medidas de posição

3.1 Média aritmética;
3.2 Média harmônica;
3.3 Média geométrica;
3.4 Mediana;
3.5 Moda;
3.6 Quartis, decis e percentis.
4. Medidas de variabilidade
4.1 Amplitude;
4.2 Variância;
4.3 Desvio padrão;
4.4 Coeficiente de variação;
5. Probabilidade
5.1 Fenômeno aleatório, espaço amostral e evento;
5.2 Métodos de determinação de probabilidade;
5.3 Noções sobre conjuntos;
5.4 Relações entre eventos;
5.5 Probabilidade condicional e independência;
5.6 Variáveis aleatórias;
5.7 Distribuição binomial;
5.8 Distribuição normal;
5.9 Distribuição T de Student.
6. Distribuições amostrais
6.1 Distribuição amostral da média e da diferença entre duas médias;
6.2 Distribuição amostral das proporções e entre duas proporções.
7. Estimação
7.1 Propriedades dos estimadores;
7.2 Estimação por ponto e por intervalo;
7.3 Dimensionamento da amostra.
8. Testes de hipóteses
8.1 Hipóteses simples e compostas;
8.2 Erros de decisão;
8.3 Nível descritivo amostral;
8.4 Função poder e poder do teste;
8.5 Testes para médias e proporções e diferenças de médias e de proporções.
9. Correlação e regressão
9.1 Diagrama de dispersão;
9.2 Análise de correlação linear;
9.3 Análise de regressão linear simples.

PROGRAMA DE CIÊNCIAS SÓCIO-HISTÓRICAS

1.Cultura, ética, autonomia e produção de singularidades nas relações sociais contemporâneas e no exercício das diferenças.
2.Estudo da diversidade étnica, cultural, religiosa, política, de gênero, através da desnaturalização de padrões.
3.Os conhecimentos histórico, geográfico, sociológico e filosófico e as diversas correntes e explicações da realidade.
4.Ensino de Filosofia: perspectivas e o estudo da Filosofia no Ensino Fundamental.
5.Ensino de História: perspectivas metodológicas e vínculos entre as diferentes correntes teóricas, seus corpos conceituais e a formulação da História como objeto de conhecimento no Ensino Fundamental.
6.Ensino de Geografia e as novas perspectivas metodológicas e didáticas: espaço/tempo, globalização, população, relações urbano/rural, análise regional no contexto sócio-ambiental.
7.As leituras e representações do espaço.
8. As Ciências Sociais e a produção conceitual da sociedade.
9.Novas tecnologias e linguagens alternativas no ensino das Ciências Sócio-históricas.

PROGRAMA DE CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS E LEGISLAÇÃO PARA
TODAS HABILITAÇÕES DO 
CARGO DE PROFESSOR.

1. Gestão Pública e Institucional;
1.1. O contexto internacional, nacional e suas repercussões na sociedade e na educação;
1.2. Governamentalidade e Educação: produção de subjetividades;
1.3. Processos Participativos em Políticas Públicas;
2. A Constituição da escola moderna
2.1. A constituição da infância;
2.2. História do currículo ;
2.3. O pensamento curricular no Brasil;
2.4. Diferentes possibilidades de organização curricular;
2.5. Avaliação Escolar;
3. História das teorizações pedagógicas;
3.1. Relação entre conhecimento, aprendizagem e desenvolvimento;
3.2. Pesquisa e educação: genealogia e cartografia da escola;
3.3. Práticas pedagógicas inclusivas ;
3.4. Educação e a Filosofia da Diferença;
4. Novas Tecnologias da Informação e Comunicação ;
4.1. Mídia e educação;
4.2. A informática e a aprendizagem escolar;
5. Formação de professores;
5.1. Pesquisa e formação docente;
5.2. Práticas pedagógicas inovadoras em contextos educativos;
5.3. Planejamento como prática de criação;
6. Legislação e educação
6.1 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 9394/96;
6.2 Lei Federal 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente;
6.3 Lei complementar nº 292/93 – Conselhos Escolares;
6.4 Lei nº 7365/93 e decreto municipal nº 11 295/95 – Eleição de diretores;
6.5 Lei nº 10.639/03 – Ensino e Cultura Afro-brasileira nas Escolas de Ensino Fundamental e Médio.

7. CONSTITUIÇÃO FEDERAL:
7.1 Capítulo II do Título II – Dos Direitos Sociais: arts; 6º e 7º;
7.2 Capítulo VII do Título III – Da Administração Pública: arts; 37 a 41.

8. LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE:
8.1 Capítulo I do Título I – Dos Princípios Gerais da Organização Municipal: arts; 1º a 10;
8.2 Capítulo III do título I – Da Administração Pública: arts; 17 a 29;
8.3 Capítulo IV do Título I – Dos Servidores Municipais: arts; 30 a 33, 38 a 42;

9. ESTATUTO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE:
9.1 Disposições Preliminares: arts. 1º ao 6º e 8º a 10;
9.2 Do Provimento: art; 11;
9.3 Da nomeação: arts. 20 e 21;
9.4 Da Posse: arts. 22 a 26;
9.5 Da Lotação: art. 27;
9.6 Do Exercício: arts. 28 a 30 e 32 e 33;
9.7 Do Regime de Trabalho: arts. 35 a 41;
9.8 Da Readaptação: arts. 57 a 60;
9.11 Aproveitamento: art. 66;
9.12 Da Função Gratificada: art. 68;
9.13 Da Substituição: art. 69;
9.14 Da Vacância: arts. 70 a 73;
9.15 Do Tempo de Serviço: art. 76;
9.16 Das Férias: arts. 81 a 88;
9.17 Das Vantagens ao Funcionário Estudante: arts. 90 a 92;
9.18 Das Licenças: arts. 141 a 164; arts. 141 e 142; 150 e 151; art. 152, exceto § 1º, art. 153, art; 155 a 164;
9.19 Da Disponibilidade: art. 167;
9.20 Do Direito de Petição: arts. 184 a 190;
9.21 Dos Deveres: art. 196;
9.22 Das Proibições: art. 197
9.23 Da Responsabilidade: arts. 198 a 202;
9.24 Das Penas e sua Aplicação: arts. 203 a 215
9.25 Da Apuração de Irregularidades: arts. 220 e 221;
9.26 Da Sindicância: arts. 222 a 224 ;

10. DIREITO ADMINISTRATIVO
10.1 Administração Pública Geral;
10.2 Administração Pública Municipal;
10.3 Atos Administrativos;
10.4 Contratos Administrativos (licitação e suas modalidades).

Com informações da Prefeitura Municipal de Porto Alegre – PMPA/RS.

Filósofo Peter Singer: “Furacão Sandy não foi um evento ‘natural’.

Entrevista com Peter Singer, filósofo australiano, Professor de Bioética da Universidade Princeton, autor de diversos livros sobre ética, direitos dos animais, ecologia e sustentabilidade.

“Em primeiro lugar, deixe-me dizer que o furacão Sandy não foi um evento ‘natural’.” Com essas palavras, surpreendentes na boca de um filósofo da ciência, o australiano Peter Singer começa a entrevista que você lê a seguir. Professor de bioética da Universidade Princeton – pesquisador e ambientalista incansável na denúncia dos riscos do aquecimento global e na defesa dos direitos dos animais -, Singer espanta-se tanto diante dos que creem em um Deus onipotente e intervencionista a zelar pela vida dos homens quanto dos que relutam em acreditar nos dados científicos que atestam os efeitos nefastos da ação humana sobre o clima da Terra.

Com o número de mortos em decorrência do Sandy aproximando-se da centena na sexta-feira e a campanha presidencial virtualmente paralisada nos Estados Unidos diante da tragédia, pelo menos um sintomático efeito político se fez sentir: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, um independente que já esteve afinado com os republicanos, declarou apoio à reeleição de Barack Obama. Alarmado com a magnitude da destruição na cidade, Bloomberg tomou partido na celeuma sobre o tema ambiental, que divide democratas, defensores do investimento em energias verdes, dos “negacionistas” republicanos, que refutam a ideia de que o aquecimento global seja causado pela ação do homem.

Para Peter Singer, chegamos ao ponto em que não basta intensificar preparativos para emergências de grandes proporções em nossas metrópoles. Será preciso tomar uma atitude radical em relação às emissões de gases do efeito estufa, nas formas de geração de energia e em nossos próprios padrões de consumo – antes que seja tarde demais. “Tempestades extremas como essa”, diz o professor, “evidenciam nossa ingenuidade ao imaginarmos que o conhecimento científico é suficiente para nos proteger delas.”

As imagens do furacão Sandy sobre Manhattan lembram muito os filmes de catástrofe em Hollywood, que atraem multidões aos cinemas. Qual é o efeito desses grandes eventos naturais sobre a autoestima e a imaginação do homem atual?
Em primeiro lugar, deixe-me dizer que não devemos admitir que o furacão Sandy foi um evento “natural”. Cientistas que pesquisam mudanças climáticas induzidas pela atividade humana já haviam previsto que eventos climáticos extremos iriam se tornar mais comuns. Por sua intensidade e força, é praticamente certo que o furacão esteja conectado aos danos que causamos ao meio ambiente. No que se refere ao clima, assim como às plantas, animais e tudo o que chamamos de “ambiente natural”, não existe mais “natureza” neste planeta: estamos vivendo numa era em que a atividade humana afeta tudo, em todas as partes do mundo. Dito isso, tempestades extremas como essa, e também terremotos e tsunamis, evidenciam nossa ingenuidade ao imaginarmos que nosso conhecimento científico é suficiente para nos proteger deles. Às vezes podemos prever esses eventos, o que evidentemente nos ajuda a salvar muitas vidas, mas ainda assim eles mostram quão pífios podem ser nossos melhores esforços para enfrentá-los.

Então eles abalam, além de cidades, as nossas crenças?
Exato. Esse é um fator curiosamente ignorado muitas vezes. Em 1755, após um terremoto e um tsunami devastarem Lisboa, matando dezenas de milhares de pessoas, filósofos iluministas questionaram como o mundo poderia ter sido criado por um ser onipotente, onisciente e benevolente. Este não pode ser o melhor dos mundos, disse Voltaire por meio de seu personagem Cândido. Concordo com ele e me intriga o fato de cristãos tradicionais testemunharem semelhantes calamidades – com milhares de mortos, incluindo crianças, com sofrimento generalizado – e continuarem a crer em um deus com semelhantes atributos.

Mesmo com as previsões dos cientistas e com as precauções tomadas pelas autoridades americanas, a usina nuclear de New Jersey entrou em ‘estado de alerta’ devido à tempestade. Por mais que nos preparemos para tais eventos, chegaremos a estar seguros?
A energia nuclear é uma atividade inerentemente perigosa, e desastres como o tsunami que atingiu a planta nuclear de Fukushima deixaram isso bastante claro. Tanto que países como a Alemanha já acordaram para a necessidade de abandoná-la. Mesmo quando as probabilidades de algo dar errado são extremamente baixas, se isso acontece as consequências podem ser um desastre de proporções inéditas – e podem tornar uma extensa região inabitável por séculos. Claro que a energia nuclear não contribui para o aquecimento global e é, compreensivelmente, uma alternativa atraente aos olhos de muitos. Mas há outras opções mais seguras que o nuclear ou as termoelétricas a carvão, como a energia solar, eólica e hidrelétrica, com eficiência razoável e menor produção de lixo.

O sr. afirma que o Sandy não pode ser chamado de evento ‘natural’, mas alguns cientistas têm dito que, embora intenso, ele não foi tão diferente de outros furacões ou ciclones.
Sandy poderia ser chamado de “normal” no contexto de um fenômeno que ocorresse uma vez a cada cem anos. O problema é que esses “desastres naturais” têm tido frequência cada vez maior, de um a cada década. Seria difícil dizer, diante de um único furacão, que ele é resultado do aquecimento global. Mas no atual cenário de furacões, enchentes e secas cada vez mais frequentes no mundo, eu não chamaria o Sandy, de forma alguma, de “fenômeno natural”.

Ou seja, a partir de agora as pessoas terão que desenvolver uma certa ‘consciência de sobrevivência’ para enfrentar desastres cada vez mais comuns?
Prefiro dizer que as pessoas – e os governos – terão de levar realmente a sério as mudanças climáticas. Nós temos de reduzir as emissões de gases antes que a situação se torne ainda pior. Mas enquanto isso não acontece as pessoas podem se preparar para perdas e desastres cada vez mais frequentes nas grandes cidades.

Quanto os urbanistas de hoje estão preparados para enfrentar essa situação?
O planejamento urbano começa a centrar foco na antecipação de emergências, mas é muito difícil estar preparado para ocorrências de tão grandes proporções. Na construção do novo World Trade Center em Nova York, por exemplo, a polícia solicitou que a base do edifício fosse forte o bastante para resistir a uma grande explosão. Só que esse é apenas um tipo de emergência possível. Existe, como se pôde perceber agora na cidade, muito pouca proteção para barrar as inundações. Mesmo as instalações de energia elétrica nova-iorquinas não estão protegidas: enquanto falamos aqui, a parte baixa de Manhattan continua às escuras, e pode levar dias até que a energia seja religada.

A campanha presidencial americana parou por causa do furacão. Grandes tragédias, como o furacão Katrina em 2005, sempre afetaram a política, mas de início parece haver um acordo tácito para enfrentá-las. Por quê?
Num primeiro momento, há a sensação de que todos devem se unir e trabalhar juntos para reduzir os danos. Mas é um sentimento que não dura muito. O Katrina, no fim, foi devastador para a administração Bush, principalmente porque a Fema (Federal Emergency Management Authority, agência governamental responsável pela prevenção de catástrofes) fez um trabalho péssimo – e ficou revelado que Bush havia nomeado um amigo político sem experiência no assunto para a chefia da agência. Agora, tanto as agências meteorológicas quanto a Fema fizeram um trabalho muito melhor do que no caso Katrina.

Aparentemente, Obama e Romney têm visões distintas sobre a importância da Fema.
De fato. E espero que os apoiadores do presidente Obama deixem bem claro que Mitt Romney disse, no ano passado, que pretendia extinguir a Fema e atribuir suas funções aos Estados. Depois do furacão Sandy ele já mudou o discurso, não quer mais abolir a Fema… O que prova que diz qualquer coisa para ser eleito. Há uma clara diferença entre os dois candidatos nesse assunto. Depois de Bush ter diminuído o status da Fema, Obama felizmente o recuperou. Mas os republicanos insistem na ideologia de reduzir o poder do governo federal, mesmo quando é óbvio ser impossível para as autoridades individuais dos Estados lidarem com um problema como o do furacão Sandy, que afeta vários deles.

Segunda-feira, quando as estatísticas americanas registravam menos de uma dezena de mortos, 52 pessoas já haviam morrido por causa do Sandy no Haiti. Nessas grandes tragédias as vidas das populações mais pobres contam menos?
É fato que populações pobres, distantes dos centros internacionais de mídia, recebem muito menos atenção. É um problema que sempre vimos e estamos vendo de novo agora. E vale ainda notar que pessoas mortas em furacões, terremotos, tsunamis e ataques terroristas ganham muito mais atenção do que as que perdem a vida por razões relacionadas à pobreza, à falta de saneamento, água potável ou atendimento médico. De acordo com a Unicef, as mortes de 8 milhões de crianças a cada ano em decorrência de fatores como esses poderiam ser evitadas. Isso é mais do que 20 mil óbitos por dia – tragédia muito maior que a do furacão Sandy, seja no Haiti, seja nos EUA. Uma tragédia cotidiana, que não rende imagens cinematográficas na TV; simplesmente não é noticiada.

Essa semana, uma corte italiana condenou por homicídio culposo sete sismólogos que não previram um terremoto que matou 300 pessoas em 2009. O que achou do caso?
Um absurdo e uma ameaça à pesquisa científica. Como podemos incentivar que pesquisadores deixem as universidades para prestar serviço em áreas de significância pública se os ameaçamos de prisão quando algo dá errado? Não está claro sequer se esses cientistas cometeram algum engano nesse caso – eles podem ter agido com base nas evidências que eram disponíveis. Podiam ter feito melhor? Como saber? E, ainda que tivessem cometido um equívoco genuíno, jamais se justificaria condená-los por homicídio culposo!

O que já aprendemos sobre a prevenção de grandes tragédias naturais?
Que não se pode esperar proteção completa diante de terremotos ou eventos climáticos extremos. Mas certamente podemos construir edifícios mais sólidos, erguer barragens anti-inundação e proteger os equipamentos de infraestrutura essenciais ao funcionamento das cidades. Organizações como a Geohazards International, por exemplo, têm sido pioneiras no desenvolvimento de projetos como o de parques altos em cidades costeiras, sujeitas a tsunamis, que podem acolher a população tão logo ocorra um alerta de terremoto oceânico. O problema, obviamente, é que tudo isso custa dinheiro, e quando os riscos de que determinado evento ocorra são pequenos, tendemos a não querer gastar com isso.

Como lidar com o potencial de destruição da natureza quando precisamos desesperadamente preservá-la da destruição humana?
O melhor que podemos fazer a ambos, a natureza e nós, é reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Nesse sentido, não podemos ignorar que um dos fatores de maior geração desses gases é a produção de carne – especialmente a bovina, pois as vacas produzem metano, que contribui 72 vezes mais para o aquecimento global que o dióxido de carbono. Sem uma mudança efetiva em nossos padrões de consumo, não vamos conseguir desacelerar a mudança climática que torna cada vez mais frequentes desastres como o furacão Sandy.

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Com informações do Jornal O Estado de São Paulo.