“SER PROFESSOR É UM INFERNO”. Entrevista com Sérgio Niza (MEM, Portugal).

A escola já não perde tempo a fazer aprender, alerta o professor e pedagogo português Sérgio Niza.

Alunos sem esperança, professores ansiosos, ensino bafiento e uma escola que não serve os interesses das crianças e jovens nem os do país. Sérgio Niza dedicou a vida à educação e não se conforma com o estado a que a escola portuguesa chegou. Mas há soluções, diz ele.

Professores insatisfeitos, pais preocupados e alunos que acham as aulas uma maçada. O que é que se passa com a nossa escola?
Esse é o retrato da escola portuguesa e da generalidade das escolas dos países ocidentais devido à forma de organização do trabalho. A estrutura de ensino simultâneo – todos a aprender a mesma coisa ao mesmo tempo – vem do século xvii e ainda perdura apesar de se saber desde os anos vinte do século xx que é um modelo esgotado. O professor dá uma lição, depois faz uma pergunta, escolhe um aluno para responder e avalia o trabalho substancial que é feito em casa. O principal problema da escola está neste modelo de não-comunicação em que o professor usa mais de três quartos do tempo da aula para falar sem que os alunos participem ou estejam envolvidos. Assim não há diálogo possível. Poderá algum jovem ou criança suportar isto?

Não é a melhor metodologia para aprender, certo?
Hoje, graças à investigação, sabemos que se aprende dialogando, falando e escrevendo o conhecimento científico e cultural que se estuda na escola. Devemos contar com a inteligência, os saberes e a colaboração dos alunos e os currículos não devem ser um segredo, devem ser eles a geri-los em conjunto com os professores. Persistir neste modelo de não-comunicação equivale a continuar a encarcerar alunos e a impedir a sociedade e as pessoas de se aproximarem da escola.

A escola não está adaptada à sociedade do século XXI?
Nenhuma outra organização humana resistiu a tanta história e a tanta mudança como a escola, que funciona do mesmo modo há séculos. Hoje temos mais consciência de que a escola, como instrumento ao serviço do desenvolvimento humano, da sociedade, da economia e da cultura, já não serve.

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Sérgio Niza no lançamento da colectânea “Escritos sobre Educação” em 2013 na FPCEUP.

Portugal está ao mesmo nível dos países europeus ou pior?
A nossa desgraça é que estamos sempre muito atrasados. Quando implementamos políticas que foram experimentadas noutros países, fazemo-lo fora do tempo. A escola portuguesa está esclerosada, está desfasada do tempo histórico. Não corresponde às vivências, necessidades e esperanças dos alunos e das pessoas em geral.

Em suma, qual é a sua maior preocupação com a escola portuguesa?
Não temos uma escola democrática, os alunos não participam na organização das aprendizagens e no ensino. Quatro décadas depois do 25 de Abril, lamento que os governantes não tenham aprendido que a melhor maneira de competir é pela cooperação – os desportistas de equipa, por exemplo os futebolistas, sabem-no bem. Ao invés, nós pusemos os alunos a competir com os colegas e os professores uns com os outros, o que empobrece o trabalho realizado. Esta ideia de transformar a escola, que deve ser um centro vivo de cultura, numa empresa é uma ilusão perigosa. E o sistema de vigilância e punição que está a montar-se para alunos e professores vai tornar a escola ainda mais desumana do que já é.

A escola está a formatar crianças e jovens?
Completamente. A escola não perde tempo a fazer aprender. Cada vez mais, o que se sugere aos professores é que debitem a matéria, que vigiem e que penalizem os alunos que não aprendem por si ou com as famílias procedendo à sua retenção ou sujeitando-os a fileiras secundárias de ensino precário, como acontece com a introdução do ensino vocacional, que poderá por lei vir a atingir alunos do primeiro e segundo ciclos, o que é desde já sentido por todos como uma nova via de castigo ou de discriminação.

Mas do professor o que se espera é que transforme alunos com dificuldades em alunos tão bem sucedidos como os outros…
As famílias e a sociedade deviam pressionar os professores para que assim fosse. Mas as políticas atuais parecem preconizar que o modo tradicional de trabalhar é que é bom. E assim as crianças e jovens que têm dificuldades vão continuar a ser excluídos. Da escola e da sociedade. E, no entanto, a Direção-Geral da Educação acabou de fazer um estudo sobre os percursos curriculares alternativos e concluiu que a inserção dos alunos nessas turmas especiais não se traduz numa recuperação das aprendizagens e que são residuais os casos de reingresso no ensino regular. Ora, eu pergunto: se é assim, porque se continua a apostar no mesmo? Sabem o que vai acontecer a estes jovens? Vão perder-se em outros percursos igualmente alternativos e vão continuar a ser tratados como portugueses de segunda.

Porque é que os professores não mudam as práticas dentro da sala de aula?
Os professores foram ensinados de determinada maneira e tendem a replicar o modelo que conhecem. Por outro lado, esta forma de estar na escola tornou-se tão natural que alguns professores até pensam que é a única. Mas não. Temos de ter consciência do que se passa na generalidade das escolas para perceber porque fracassámos e querer mudar. Porque há soluções.

Quais são?
Temos de substituir as soluções únicas da velha escola tradicional, reforçada agora por soluções de empobrecimento cultural inspiradas na América dos anos de 1980, por uma gestão comparticipada dos programas, pela entreajuda entre alunos, pela individualização de contratos de aprendizagem e uma forte colaboração que forme para a cidadania democrática. Alguns professores já o fazem hoje e devem continuar até que respeitem os seus direitos profissionais.

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Os bons professores estão acomodados?
Chegámos a um ponto em que até os bons professores que se mantêm no ensino temem ficar desempregados e o país corre o risco de que se tornem uns cordeirinhos, que obedecem cegamente às manipulações da administração. Os professores estão muito ansiosos, já não querem gastar tempo a falar de estratégias de ensino que melhorem as aprendizagens porque também eles estão obcecados com a avaliação. A que têm de fazer constantemente aos alunos e a avaliação final de ciclo, externa às escolas. Além disso, eles também vão ser examinados através dos resultados dos alunos, por via da avaliação do desempenho. É um inferno ser professor neste contexto.

Discorda da avaliação do trabalho dos professores?
Não, o trabalho dos professores é pago por todos nós e deve ser avaliado. Mas uma coisa é avaliar o conjunto do trabalho do professor, incluindo a sua atitude no seio de uma equipa pedagógica, outra coisa é avaliar o professor como se faz com qualquer outro funcionário público. É que a natureza do trabalho dos professores é muito particular por ser crucial para o desenvolvimento humano, a preservação e a renovação da herança cultural.

Foram publicadas as metas curriculares para o ensino básico. É caso para dizer que finalmente haverá objetivos de aprendizagem claros e autonomia para os professores?
Nem pensar. As metas servem a atual espinha dorsal da escola, que passou a ser o seu controlo. Não têm nada de novo, apenas servem para examinar e vigiar. As metas desviam-se dos programas em vigor mas isso é indiferente para o ministério pois os professores sabem que para alcançar resultados têm de olhar para as metas tendo-as em conta como o novo currículo.

As novas metas não servem os interesses dos alunos nem dos professores?
O discurso oficial é que sim, que servem. Mas não é verdade, não servem porque empobrecem o curriculum, o trabalho intelectual dos professores e dos alunos. Estas metas não trazem uma vantagem cultural e de socialização acrescida às aprendizagens, à escola e à sociedade.

Que apreciação faz do trabalho do ministro Nuno Crato?
Este ministro aparenta estar absolutamente convencido de que está a fazer o melhor, mas ele não é um homem da educação. Até presumo que tenha sido escolhido por ser um bom comunicador político – ele tinha uma receita conservadora de reforço do ensino tradicional, e conseguiu passá-la nos media – e é economista com especialização em estatística – o que é importante para fazer contas e tornar a educação mais barata. Infelizmente, o senhor ministro não tem uma cultura acrescentada sobre a escola nem um conhecimento, para além do senso comum, sobre educação.

QUEM É SÉRGIO NIZA?
Sérgio Niza foi professor do ensino primário, de educação especial e universitário. O trabalho de investigação e o seu pensamento como pedagogo é reconhecido no país e no estrangeiro. Fundou o Movimento da Escola Moderna portuguesa e já foi membro do Conselho Nacional de Educação.

Por: Célia Rosa 14/04/2014 – 15:31 Fotografia: Paulo Spranger / Global Imagens

[Publicado originalmente na edição de 16 de setembro de 2012]

Ricardo Semler: “Tortura escolar nunca mais!”

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Se eu fosse estudante hoje faria milhares de bótons com a hashtag #chegadetortura para ostentar na sala de aula. Hoje, terça-feira (28/4), é o Dia Mundial da Educação, e cá estamos nós tentando melhorar a gestão – reciclagem e firulas– de um sistema medieval.

Paremos de culpar professores, acusando-os de corporativistas e letárgicos. Cessemos o giro da engrenagem da tortura que mói os alunos, vítimas da ditadura das aulas maçantes. O conceito da escola atual caducou. Fim. Os pais não saberiam hoje achar uma raiz quadrada, e são incapazes de dizer qual a capital da Holanda ou da Suíça. Tentem. Ou, então, citem dois escritores românticos brasileiros, diferenciem um sujeito oculto de um indeterminado ou mesmo lembrem de dois elementos seguidos da tabela periódica.

A escola que temos é resultado da ideia iluminista de que tudo precisa ficar guardado na cabeça. Na era do Google, é um crime insistir no método da decoreba. Argumenta-se que a meninada está aprendendo a aprender. Que balela: quem tem filho sabe que eles aprendem a andar e até a falar sem ajuda –já chegam de fábrica com a capacidade de aprender a aprender.

Os pais não têm coragem de confrontar a escola. Nas reuniões discutem a inclusão de alimentos orgânicos na merenda e a fila na saída do colégio. E se eximem: fiz o que pude, minha filha cursou uma boa escola, agora seja o que Deus quiser.

O tal mercado de trabalho, então, é um algoz de pijama. Ou alguém acredita que passar por uma escola rigorosa, usar uniforme e decorar a tabuada prepara alguém para trabalhar nos Instagrams da vida? Queremos preparar nossos filhos para trabalhar na General Motors de 1952?

Indignado e frustrado, comecei o Instituto Lumiar, que é administrado pela Fernanda, minha mulher. Por lá passaram os nossos cinco pequenos. A meta era redesenhar com pessoas do ramo uma escola contemporânea. Foi fácil criar e adotar escolas, inclusive uma pública, que conseguem notas muito mais altas do que conseguiam antes.

Ideias novas de educação envolvem mistura de faixas etárias e crianças que escolhem a ordem do que querem aprender. Incluem momentos diários em que os educandos olham as notícias e escolhem algo para investigar. Além de aplicativos que medem diariamente e por anos o domínio de cada aluno sobre as várias áreas do conhecimento.

Esse monitoramento digital dá baixa nos itens dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação, que são muito mais modernos e flexíveis do que o aplicado pelas escolas. Estas acham mais fácil seguir o método centenário: os alunos fazem de conta que entenderam, a escola finge que ensinou, e os pais fingem que acreditam.

Há alguns anos falei em um simpósio para 59 ministros de Educação. Conversando com o finlandês que desenhava o currículo deles, descobrimos que éramos partidários do fim das disciplinas estanques, um sistema esquizofrênico. No mês passado, a Finlândia anunciou que vai eliminar as disciplinas como matemática e línguas, e trocá-las por tópicos de interesse.

A Finlândia vem caindo no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), cedendo lugar para as ditaduras escolares. Os países que sobem a cada ano são os que têm as escolas mais rígidas, horários mais longos e o suplício das provas reducionistas.

Por aqui, o defeituoso Pisa virou estrela guia. Vale perguntar: queremos subir no ranking de maneira truculenta e primitiva ou acompanhar a Finlândia em modernidade intelectual? O fato de estarmos tão mal colocados não justifica focarmos no básico, do jeito antigo e inútil. É hora de desenharmos escolas que resgatem a magia do conhecimento.

Vamos nos irmanar com a Finlândia. Seria muito mais eficaz saltarmos por cima de métodos arcaicos do que fazermos mudanças marginais numa metodologia obsoleta. Pois é o que estamos fazendo: disfarçando tortura usando capuz de rigor pedagógico. Deixemos os saudosos da ditadura sozinhos na chuva no meio da avenida Paulista.

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RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners e fundador do Instituto Lumiar, que administra as escolas Lumiar. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor do MBA no MIT Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). Texto publicado originalmente no dia 28 de Abril de 2015 no Jornal Folha de São Paulo.

Quando a Escola deixar de ser uma fábrica de alunos

A escola de massas, onde um professor ensina ao mesmo tempo e no mesmo lugar dezenas de alunos, nasceu com a revolução industrial mas chegou ao século XXI. Em dois séculos, mudaram os estudantes, mudou a sociedade e mudou o mercado de trabalho. Quando mudará a escola?

Crianças sentadas em fila, olhando para a frente. Mãos cruzadas em cima da mesa, numa postura inerte. A secretária do professor fica no extremo esquerdo da sala de aula. Não está a ensinar. Os alunos têm uns capacetes de metal, ligados por uns cabos eléctricos a uma máquina onde o professor coloca uns livros. A função desse aparelho, compreende-se pela imagem, é a de extrair a informação dos manuais e introduzi-la directamente nos cérebros dos jovens, através da transmissão da energia eléctrica. Foi assim que os ilustradores franceses Jean Marc Cotê e Villemard imaginaram e retrataram a escola do ano 2000, num postal que era parte de uma série produzida para a Exposição Universal de Paris, em 1900.

A escola do ano 2000 imaginada pelos ilustradores franceses Jean Marc CotÍ e Villemard em 1899.

A escola do ano 2000 imaginada pelos ilustradores franceses Jean Marc CotÍ e Villemard em 1899.

A gravura é de 1899 e foi utilizada por João Barroso, especialista em políticas de educação e formação da Universidade de Lisboa, num trabalho que terá sido apresentado em São Paulo,  intitulado A Escola e o Futuro: As Mudanças Começam na Sala de Aula.

A escola do ano 2000 é imaginada, no final do século XIX, como um prolongamento da escola então existente. Cotê e Villemard não vislumbraram uma sala de aula com um funcionamento completamente diferente por causa da electricidade. Em vez disso, desenharam a aula de 1899 – um local onde os jovens recebem, de forma passiva, o conhecimento que lhes é transmitido pelo professor – e acrescentaram-lhe uma nova tecnologia, que lhes permitiria, simplesmente, ter a mesma informação, embora com a recepção facilitada.

Vítor Teodoro, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, tem outra pintura – de uma sala de aula ainda mais antiga – na cabeça. O professor está num púlpito. Lá no alto, consegue ver todos os alunos, que se dispõem à sua frente, sentados por filas. Mas nem todos olham para ele. Uns conversam com os colegas do lado. Uns têm o olhar perdido noutra direcção. Um deles dorme apoiado no braço. Vítor Teodoro está a pensar na iluminura pintada por Laurentius de Voltolina no século XIV, que retrata Henrique da Alemanha a dar uma aula na Universidade de Bolonha, mas que, de acordo com o professor, podia retratar uma sala de aula dos dias de hoje.

A educação que hoje conhecemos tem duas bases, explica o professor da FCT-UNL: a da religião e a do apprenticeship – a aprendizagem por integração numa comunidade, que vem da tradição dos ofícios e dos mestres. Para Vítor Teodoro, durante o século XX, predominou o modelo religioso. A escola adoptou das igrejas o estrado e o púlpito e o professor, à semelhança do padre, começou a transmitir, expositivamente, a informação aos alunos, que a recebem de uma forma passiva. Ensina-se o grupo e não o indivíduo, o que, muitas vezes, leva a que alguns jovens não compreendam o que está a ser ensinado e percam o interesse: “Há 50 anos, as pessoas repetiam as orações em latim e não percebiam o que estavam a dizer. Hoje, acontece o mesmo com os alunos.”

Há muito tempo que a escola se concentra em ensinar aos alunos as competências básicas da matemática, da escrita e da leitura. Agora, estas aprendizagens básicas já não são suficientes. No livro The global achievement gap, Tony Wagner, investigador de Inovação na Educação no Centro de Tecnologia e Empreendedorismo da Universidade de Harvard, descreve o que está a ser ensinado aos jovens nas escolas, por oposição ao que eles deveriam estar a aprender para triunfarem nas suas carreiras, numa economia global.

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Wagner defende que a escola deve desenvolver sete “competências de sobrevivência” necessárias para que as crianças possam enfrentar os desafios futuros: pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, colaboração, agilidade e adaptabilidade, iniciativa e empreendedorismo, boa comunicação oral e escrita, capacidade de aceder à informação e analisá-la e, por fim, curiosidade e imaginação.

Uma colecção de salas
Teresa Franco tem 15 anos e a partir de Setembro vai frequentar o 10.º ano no Liceu Rainha Dona Amélia, em Lisboa. Decidir-se por uma área de estudos foi complicado, diz: “Não tenho a certeza de nada porque não tenho experiência.” Teresa fez um intenso trabalho de pesquisa e criou uma lista com os cursos que a interessavam: Psicologia, Serviço Social, Dança, Escultura, Pintura, Design de Ambientes, Design de Comunicação, Design de Moda, Fotografia, Ciências da Educação, Jornalismo… Áreas variadas e muitas delas relacionadas com a criatividade. Fez testes psicotécnicos e falou com profissionais de várias áreas para perceber com qual delas mais se identificava. Acabou por escolher o curso de Artes. Talvez um dia venha a ser designer.

Quem sabe se por causa das dificuldades que teve em decidir-se por um curso, Teresa defende que a escola deveria promover a interacção com pessoas com experiência nas diferentes áreas profissionais. Defende que aquilo que faz mesmo falta na escola é uma componente mais prática. Sugere, por exemplo, que o horário da tarde fosse ocupado com workshops de fotografia, desporto, artes… Quanto ao ensino das disciplinas, deveriam ser incentivados outros métodos para além do “decorar, decorar, decorar”. É por essa razão que muitos dos seus colegas “odeiam História”: “Deviam encontrar uma forma que nos cativasse. Em vez de nos obrigarem a decorar, podiam contar-nos mesmo uma história – levar-nos a falar com historiadores ou pessoas que tivessem vivido um determinado acontecimento.”

Até aos seis anos, frequentou uma escola inglesa, a English Preparatory School. Como explica a sua mãe, Cristina Rebocho, o ambiente era descontraído e a auto-estima das crianças estimulada: “Ensinavam muito através da brincadeira.” Os momentos de avaliação aconteciam de forma discreta. As crianças pensavam que estavam a fazer uma ficha de exercícios normal, quando, na verdade era um teste, e assim não ficavam tão nervosos. No ensino da língua – neste caso, do inglês – os erros ortográficos das primeiras composições não eram corrigidos. “Para que eles pudessem desenvolver a imaginação e a criatividade”, explica Cristina Rebocho.

Teresa pensa que os anos que passou nesta escola lhe deram “estruturas sólidas”. Também por causa dessa experiência, está convencida de que o ensino deveria ter uma base artística. Alguns colegas dizem-lhe que tinham jeito para as artes quando eram pequenos, mas como não tinham tempo foram-no perdendo. Para Teresa, é uma pena porque, diz, as artes “são muito úteis para que nos consigamos expressar e estar mais à vontade na relação com os outros. E são libertadoras”.

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A pedagogia tradicional da escola uniformizada está na base da criação da escola de massas a partir do século XIX e não sofreu alterações radicais desde então. Assenta na homogeneização dos alunos e na subordinação aos princípios da tragédia grega: unidade de espaço, de tempo e de acção – “Tudo se passa nos mesmos lugares, ao mesmo tempo e da mesma maneira. Uma escola é uma colecção de salas de aula e o ensino é uma repetição de actividades pré-formatadas, iguais todos os anos”, de acordo com João Barroso.

Os vídeos Khan
A revista Economist, num artigo da sua edição de 29 de Junho, Education technology, mostrava-se optimista relativamente à possibilidade de a Internet ser, por fim, capaz de fazer aquilo que a escola massificada nunca conseguiu – adequar-se às necessidades individuais de cada aluno. A revista britânica considera que os recursos online – desde os programas que monitorizam o desempenho dos alunos aos vídeos com exercícios – podem estar a transformar profundamente a educação.

Um dos exemplos referidos pela revista foi o da Khan Academy – um site que disponibiliza gratuitamente vídeos com explicações, criado pelo norte-americano Salman Khan. Os vídeos possibilitam a metodologia da “aula invertida” – em vez de assistirem à exposição do professor na sala e realizarem os exercícios em casa, os alunos assistem aos vídeos em casa e realizam os exercícios na sala de aula. Um exemplo, segundo a Economist, de como algumas inovações podem transformar a educação convencional.

Em Abril deste ano, a Fundação Portugal Telecom importou a ideia. Para Teresa Salema, responsável pela Academia Khan em Portugal, o futuro da educação pode passar por aqui.

A iniciativa surgiu devido à percepção de que “os alunos não estão bem preparados para enfrentar a sociedade da informação” e da necessidade de introduzir novos estilos de aprendizagem: “A sala de aula não muda há 300 anos, mas as crianças são diferentes”, afirma à Revista 2.

Até ao início do próximo ano lectivo, a PT espera ter disponíveis 400 vídeos de Matemática. Depois, e até 2014, deverão ser adaptados vídeos de Física, Química e Biologia. As explicações foram traduzidas do inglês e a adaptação aos conteúdos dos programas nacionais foram feitos com a ajuda da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). As prioridades situaram-se nas áreas mais científicas, onde os resultados escolares a nível nacional são mais negativos.

Como explica Teresa Salema, os vídeos da Academia Khan permitem que o professor se concentre “na orientação, na relação com os alunos e na tutoria individual, que constituem os papéis mais nobres da profissão”. E acrescenta que a responsabilidade está, cada vez mais, do lado dos alunos, que têm de querer aprender: “O professor deve incentivar o aluno, mas este não pode ser passivo.”

Vítor Teodoro, que já recorreu aos vídeos da Academia Khan e a outros semelhantes nas suas aulas, ressalva que, se a utilização destes instrumentos não for feita de forma adequada, podem ser “mais do mesmo”, uma vez que foram “pensados para o modelo “missa””. “Quando projecto um vídeo, posso dizer: “Vejam e aprendam.” Ou posso parar a apresentação e dizer: “O que é que isto quer dizer?” “Vamos transferir este esquema para o papel”.” De acordo com João Barroso, transformações como a da “aula invertida” são “pequenas alterações cosméticas, que não tocam no essencial, que é a pedagogia”.

Três futuros possíveis
Para João Barroso, os problemas e os desafios que se colocam à escola fazem parte de uma evolução histórica e há três futuros possíveis para o processo de escolarização: a hiperescolarização, a desescolarização e a refundação, todos eles potenciados pela utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).

A tendência da hiperescolarização está relacionada com o reforço da escola homogénea. Neste caso, as novas tecnologias servem apenas, nas palavras de João Barroso, para fazer o upgradedaquilo que já está a ser realizado. “A sala de aula continua organizada da mesma maneira. O que eu vou melhorando são escolhas que já fazia. Isso não é mau. É o que os professores têm feito com o retroprojector, com o vídeo… Pequenas transformações nas práticas docentes que têm permitido que se passasse da disposição frontal para a disposição de grupo e que os alunos façam trabalhos de grupo.”

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A defesa da desescolarização está associada à publicação, em 1971, dos livros The School is Dead, de Everett Reimer, e Deschooling Society, de Ivan Illich, onde se criticava a escola como instituição. Reimer considerava que a “salvação” da educação passava pelo fim da escola, tornando-se necessário devolver o acto de educar aos pais, à comunidade e à livre iniciativa. Illich, por sua vez, defendia que a educação universal por meio da escolaridade não era possível. Actualmente, este movimento da desescolarização foi recuperado pelos defensores do homeschooling (ensino doméstico), em que as famílias optam por educar os seus filhos em casa. Normalmente, o homeschooling está associado a perspectivas mais conservadoras, em que se defende o regresso à vida comunitária das famílias. Como explica João Barroso à Revista 2, “as empresas de software educativo têm vindo a apostar nesse público, fornecendo pacotes de programas educativos organizados em função dos vários anos de escolaridade para que os adultos em casa possam colocar os jovens em frente ao computador e aprender com esses programas”.

A escola não está morta
João Barroso garante que “a escola não está morta, não desapareceu e será recuperada”. Para o investigador, o futuro desejável é o da refundação: “Há uma necessidade de refundação da escola para que ela possa entrar na era digital, mas essa refundação não se faz unicamente com a tecnologia, faz-se também com a alteração das práticas pedagógicas, com a alteração do currículo e alterando o trabalho dos professores.”

Esta refundação (o termo corresponde, também, à designação do programa aprovado este ano pela Assembleia da República francesa para preparar a escola para a era digital – La refondation de l”École) assemelha-se a um modelo com um século: o movimento pedagógico conhecido por Educação Nova, que se desenvolveu nos primeiros anos do século XX e que teve o seu impulso com a publicação do livro Transformemos a Escola, de Adolfo Ferrière. Este movimento pretendia assegurar uma educação à medida de cada aluno e caracteriza-se pela defesa do “desenvolvimento das competências individuais, da aprendizagem interactiva, da escola criativa e activa, apostando na autonomia do aluno”, diz.

“Hoje, também é necessário transformar a escola de acordo com os mesmos princípios e em benefício de uma educação à medida de cada aluno, garantindo a equidade, a igualdade de oportunidades e a inclusão social”, escreve o investigador no texto A Escola e o Futuro. As novas ferramentas podem permitir realizar estes ideais: “Todas as inovações pedagógicas tentadas durante o século XX – como a da Escola da Ponte (uma escola portuguesa, no distrito do Porto, organizada segundo uma lógica de projecto e de equipa, onde não existem salas de aula, no sentido tradicional, mas sim espaços de trabalho), a pedagogia Freinet (proposta pedagógica para modernizar a escola, surgida em 1924, que dá primazia ao desenvolvimento do espírito crítico, utiliza a curiosidade das crianças como ponto de partida para a aprendizagem, feita em cooperação) – foram muito localizadas. As novas tecnologias possibilitam que as inovações pedagógicas se desenvolvam de maneira massificada.”

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Mas, como explica Vítor Teodoro, “nada se passa fora do enquadramento tecnológico, mas achar que se pode usar a tecnologia para provocar a mudança é ingénuo. O que temos de ter é uma lógica daquilo que queremos para a escola”.

Se não é por mudar a tecnologia que muda a escola, também não é pelas mudanças que ocorrem a nível político que a escola se vai transformar, uma vez que, como afirma João Barroso, “as grandes reformas políticas são feitas de cima para baixo, acabando por ficar à porta da sala de aula”. As mudanças que estão em curso vão ter de envolver, obrigatoriamente, cinco dimensões: a política, a tecnológica, a pedagógica, a curricular e a da formação de professores.

O especialista em políticas da educação e formação considera que faz sentido pensar o futuro da escola em função das mudanças que ocorrerem dentro da sala de aula. “O futuro da escola é a mudança da organização do ensino, da relação pedagógica entre professores e alunos, da organização do tempo, do espaço, do currículo. No fundo, a transformação da sala de aula, que é o núcleo duro da escola.”

O modelo finlandês
Quando se fala em mudar a escola e a educação, muitos políticos, educadores e pedagogos referem, de uma maneira geral, o sistema educativo finlandês. Não é por acaso: a Finlândia ocupa o primeiro lugar ou os lugares cimeiros nas diferentes categorias testadas pelo Programme for International Student Assessment (PISA), que procura medir as capacidades de leitura e de literacia matemática e científica dos jovens com 15 anos nos 34 países da OCDE.

No documentário The Finland Phenomenon: Inside The World”s Most Surprising School System, de 2010, Tony Wagner quis perceber as razões do sucesso deste sistema de ensino. Através de visitas a salas de aula e entrevistas a professores e alunos, o investigador chegou a algumas conclusões. Numa das primeiras cenas do documentário, Wagner conta aquilo a que assistiu numa sala de aula da segunda classe: nas semanas anteriores, as crianças tinham aprendido a distinção entre energias renováveis e não renováveis e, no momento da visita do investigador, a professora pediu aos alunos que criassem um espectáculo de marionetas, imaginando que a electricidade falhara em suas casas e aquilo que deveriam fazer nessa situação. “Experiências da vida real, conceitos abstractos e artes – tudo integrado no mesmo currículo”, comenta Wagner em voz-off.

Um dos professores explica ao investigador aquilo que considera importante na educação dos jovens: “Compreender as razões por detrás das coisas, ler, sonhar, falar, encontrar soluções por si próprio.”

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Ao longo do filme, Tony Wagner chega a outras conclusões. As salas de aula, repara, são pequenas, as turmas têm cerca de 20 alunos e o ambiente é íntimo e relaxado, com as crianças a tratar os professores pelo primeiro nome. Há menos aulas expositivas durante o dia e mais tempo para actividades de projecto e para aprofundar as aprendizagens.

Cada escola goza de grande liberdade para desenhar os seus próprios currículos. No sistema educativo finlandês, os jovens têm muito poucos trabalhos de casa e são submetidos a poucos testes e exames.

Na Finlândia, a profissão docente é altamente prestigiada. Uma das razões para que isto aconteça deve-se à elevada exigência da formação dos professores. Só os melhores alunos conseguem entrar numa das oito universidades que preparam docentes. Estudam durante cinco anos, tempo que inclui o mestrado, e treinam observando os seus professores a ensinar.

Mas, para Wagner, o aspecto mais surpreendente de todos é o facto de o sistema se basear na confiança: “O Governo confia nos municípios para adaptarem o currículo nacional de acordo com as necessidades locais. Os municípios confiam nos professores e nas escolas para que estes façam aquilo que é correcto. Os professores confiam na capacidade de os alunos usarem o seu tempo de forma correcta e a Internet e outras tecnologias de forma responsável.”

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Acabar com as salas?
Há outros exemplos de “escolas do futuro”. Através delas, é possível perceber como é que as salas de aula estão a mudar. E as mudanças passam, muitas vezes, pelo próprio desaparecimento do espaço tradicional da sala de aula. Na Vittra Telefonplan, em Estocolmo, em vez de salas de aula, praticamente não existem divisões, à excepção de algumas salas fechadas, para que possam ser à prova de som, destinadas à prática da dança ou do canto ou para a visualização de filmes. Os estudantes sentam-se em sofás almofadados e de formas arredondadas, utilizam mesas que se assemelham às que existem nas cafetarias, onde os alunos podem comer ou trabalhar, ou fazer as duas coisas em simultâneo. A organização do espaço foi pensada para permitir a livre circulação dos estudantes. Os espaços diferenciados pretendem estimular as crianças a aprender à sua maneira.

Segundo uma reportagem na revista Exame (Brasil), na Escola Orestad, em Copenhaga, existem algumas salas de aula tradicionais, mas 50% das actividades são realizadas em espaços abertos, onde os alunos resolvem os exercícios em pequenos grupos.

Na Bélgica e nos Estados Unidos, surgiram laboratórios para testar mudanças profundas na forma de organizar o espaço e o trabalho. Em Bruxelas, a associação European Schoolnet, criada pelos ministros de Educação da União Europeia para encorajar as escolas a optimizar a utilização das novas tecnologias, criou o Future Classroom Lab, onde existe uma sala de aula aberta com cinco zonas adaptadas a diferentes actividades: recolha e tratamento da informação, comunicação, divulgação e debate e produção multimédia. O projecto TEAL (Technology Enable Active Learning), no MIT, em Boston, tem salas compostas com mesas redondas, todas equipadas com computadores. O professor fica no centro da sala. Os estudantes trabalham em grupo e ensinam-se uns aos outros.

João Barroso resume à Revista 2 o que acontece na maior parte destes espaços: “Os alunos não se dividem por disciplinas, mas por actividades – os que estão a trabalhar, os que estão a dialogar, os que estão a recolher informação, os que estão a fazer trabalho autónomo, os que estão a fazer trabalho de grupo, aqueles que estão a desenvolver conceitos, aqueles que praticam exercícios. Os espaços são sobretudo abertos e a sua estrutura central, para além da presença da tecnologia, são grandes mesas redondas para nove, dez alunos.” Para além da tecnologia, aquilo que é mais valorizado é o convívio, o debate e a acção, explica.

Isto significa que “a dimensão da relação humana é extremamente valorizada na idealização da escola do futuro, do ponto de vista espacial, organizativo e temporal”. João Barroso tem uma visão contrária àquela que acredita que as novas tecnologias podem levar ao isolamento dos adolescentes, quando estes passam horas em frente ao computador: “Estas tecnologias podem ser geridas de uma maneira individualista e de autofechamento, mas, por outro lado, convidam ao debate, à discussão, ao diálogo.”

O papel do professor
E é também aqui que entram os professores e a escola, que, segundo este especialista, “tem um papel fundamental em educar os jovens no uso das tecnologias de informação”. Não se trata de ensinar as crianças e os adolescentes “a utilizar o computador, os smartphones ou o iPad”, diz. Se o papel do professor se resumir a ser um mediador entre o aluno e o computador, passamos a ter um professor que não é professor, mas um “operacional”.

Segundo João Barroso, o professor tem de ser um mediador, sim, mas “entre o aluno e o conhecimento”, assegurando “situações criativas para o uso das tecnologias”. Desta forma, o docente mantém a imagem “do adulto junto do jovem, do professor reflexivo que pensa nas suas práticas e que procura actualizá-las, do porteiro do conhecimento e daquele que garante os valores da educação pública na escola”.

Para além disso, as novas tecnologias, em vez de diminuírem o estatuto do professor, podem aumentá-lo: “Hoje o professor perde muito tempo com tarefas menores do ponto de vista educativo, e a tecnologia pode permitir aliviar o professor dessas actividades rotineiras e pouco significativas do ponto de vista da profissão docente e deixá-lo livre para aquilo que é fundamental: a relação com a criança e com o jovem no acesso ao conhecimento”, diz o investigador.

Para António Dias de Figueiredo, responsável pela fase-piloto do Projecto Minerva, que consistiu na introdução das TIC nas escolas do ensino básico e secundário, um projecto nacional de renovação pedagógica só é possível se dermos confiança aos docentes e criarmos modelos de organização em que seja possível dotar os professores de autonomia: “Se lhes for dada a hipótese de agirem como pessoas inteligentes e não como “funcionários”… Um professor apaixonado consegue fazer milagres.”

Mas para que a escola mude, é necessário que algo mude também junto dos professores, defende Vítor Teodoro. A formação dos professores tem de sofrer alterações para se aproximar mais da formação dos médicos, por exemplo: “A aprendizagem das profissões que envolvem interacções com outras pessoas deve fazer-se mais pela integração num grupo, pelo acompanhamento, pelo exemplo e pela discussão e análise das situações.” Ou seja, os futuros professores deveriam aprender através de casos concretos: assistindo a aulas reais, por exemplo, e não recebendo aulas sobre como se ensina.

Para Vítor Teodoro, o ensino devia ser, cada vez mais, uma actividade de grupo, com equipas que preparam os materiais e as aulas em conjunto. Segundo o professor, isto é válido tanto para a formação dos professores como para a prática profissional.

Precisamos de disciplinas?
Ao mesmo tempo que muda a pedagogia e a tecnologia, o currículo também tem de mudar. João Barroso defende que os currículos devem desenvolver competências transversais e que, ainda que continuemos a falar de disciplinas, o ensino não precisa de estar organizado assim: “As tecnologias podem potenciar actividades transdisciplinares e interdisciplinares, não segmentando os saberes, como hoje acontece na organização disciplinar.” Os momentos de transmissão do conhecimento continuariam a existir, mas seriam mais reduzidos: “Há o tempo necessário para aquilo que são os conceitos-chave e depois todo o grande trabalho é na operacionalização desses conceitos – é aí que se resolvem as dúvidas e se inter-relacionam os conceitos.”

Para Vítor Teodoro, o modelo da missa que tem dominado a educação deve ser combinado com o modelo do apprenticeship, introduzindo-se bons laboratórios, uma forte componente prática, uma forte componente artística, desenvolvendo o trabalho de projecto dos alunos e colocando a ênfase no trabalho com pequenos grupos.

Segundo o professor, “isto é o oposto do que está a acontecer em Portugal”. Como explica à Revista 2, a escola está a ser transformada numa escola mínima. A função tradicional da educação de empowerment tende a ser cada vez menor e tudo aquilo que está relacionado com as expressões artísticas, como o desporto, a arte e a música, estão a desaparecer, afirma Vítor Teodoro.

A escola precisa de mudar, mas essa mudança vai ser na direcção errada, lamenta: “Vai mudar para um sentido mais pobre e utilitário – as crianças saem da escola com uma utilidade meramente económica.”

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O professor defende que em Portugal deveriam ser adoptados os programas do International Baccalaureate (como já fizeram 144 países) – uma fundação internacional para a educação, sem fins lucrativos, que desenvolveu quatro programas educativos para crianças e jovens com idades entre os 3 e os 19 anos e que, segundo Vítor Teodoro, “dá uma grande importância às artes e à iniciativa dos estudantes”.

Num desses programas, destinado a crianças entre os 3 e os 12 anos, a aprendizagem da língua materna, dos estudos sociais, da matemática, das artes, da ciência e da educação pessoal, social e física é feita de uma forma transdisciplinar, abordando as seguintes questões: quem somos; em que espaço e em que tempo é que estamos; como é que nos expressamos; como é que o mundo funciona; como é que nos organizamos e partilhar o planeta. Para os mais velhos (dos 16 aos 19 anos), o programa exige aos alunos que realizem um ensaio com quatro mil palavras e um trabalho sobre a Teoria do Conhecimento em que devem analisar as diferentes formas de conhecimento (percepção, emoção, linguagem e razão) e examinar os tipos de conhecimento (científico, artístico, matemático e histórico). Há ainda um envolvimento em actividades artísticas, desportos individuais ou colectivos, projectos internacionais e actividades comunitárias e serviço social. Nestas idades, os alunos podem também optar por seguir um programa de ensino profissional.

Vítor Teodoro está convencido de que a escola portuguesa deveria ser uma variante destes programas e que “entre seis meses e dois anos” seria possível adoptar os currículos ao sistema português.

O aluno da era conceptual
Segundo João Barroso, aquilo que os empregadores hoje valorizam no estudante – mais do que aquilo que ele sabe – “é a capacidade que ele tem de aprender coisas novas, de se adaptar às situações, de produzir conhecimento, de interagir”.

Um currículo caracterizado pela transdisciplinaridade permite trabalhar a operacionalização dos conceitos, explica João Barroso. No ensino tradicional, geralmente é aí que está o problema – o aluno quer utilizar o conhecimento na sua vida prática e não sabe como fazê-lo.

Para o investigador, “os trabalhos desenvolvidos com recurso às TIC, uma vez que disponibilizam um grande volume de informação, desenvolvem a capacidade de seleccionar informação, de tratá-la e de ser capaz de utilizá-la de maneira organizada para um objectivo imediato”.

Para Vítor Teodoro, aquilo que distingue um bom profissional de um mau profissional é a autonomia. “Quando me perguntam o que é que eu quero que os alunos sejam, respondo: “Mais autónomos e capazes do que eu próprio”.”

No livro A Whole New Mind: How to Thrive in the New Conceptual Age, Daniel Pink apresenta as quatro eras das sociedades dos últimos 150 anos – agrícola, industrial, da informação e, iniciada no século XX e estendendo-se até agora, do conhecimento. Actualmente, começa a emergir uma outra era, a que Pink chamou “era conceptual”, na qual se valorizam os trabalhadores que consigam ser mais criativos e com maior inteligência emocional.

A escola de hoje, explica também António Dias de Figueiredo, inspirou-se no cartesianismo, que privilegia tudo o que é racional, deixando de fora aquilo que é emocional. Esta visão racionalista do ensino desenvolve as competências racionais da criança e evita os aspectos emocionais, artísticos e as visões humanistas do mundo: “A escola do ponto de vista da preparação para a razão faz um bom trabalho, mas tem visto a criança como metade daquilo que ela é. O que a escola não está a conseguir encontrar é um equilíbrio entre a razão e a arte. Não está a desenvolver as competências criativas.”

Para António Dias de Figueiredo, estamos a construir o século XXI com visões sobre a educação que são do século XIX: “Vivemos na era industrial porque temos uma visão neoliberal da educação. Achamos que a educação é melhor se for uniformizada, o que é uma contradição com o mundo em que vivemos, em que só aqueles que se diferenciam é que arranjam emprego.”

Num artigo escrito em 2009, intitulado Inovar em Educação, Educar para a Inovação, António Dias de Figueiredo defendeu que as escolas têm de preparar os cidadãos para “um mundo globalizado, complexo, de mudança, centrado no conhecimento, onde todos competem com todos, sem fronteiras, e onde a capacidade de cada um para criar valor, com empenho e inovação, passou a ser factor crítico, não apenas de sucesso, mas de sobrevivência”.

Passados 28 anos sobre o primeiro projecto nacional para as TIC no ensino não-superior, António Dias de Figueiredo considera que evoluímos muito pouco na transformação das escolas em espaços de inovação e criatividade. Os alunos, afirma, “estão a ser produzidos industrialmente e a transformar-se em funcionários. Não têm autonomia”.

O professor mostra uma imagem que ilustra esta convicção. A figura está dividida em duas partes. No topo, a frase “What today”s world needs” (“Aquilo de que o mundo de hoje precisa”). Depois, a figura correspondente: bonecos de todas as cores, organizados em grupos com diferentes dimensões e formas. Por baixo, uma outra frase: “What the school systems are producing” (“Aquilo que os sistemas escolares estão a produzir”) e três filas de bonecos cinzentos, como se estivessem dispostos em linhas de montagem, sem nada que os distinga entre eles.

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Catarina-Fernandes-Martins-lowres-190x190Catarina Martins é jornalista e actualmente escreve no Observador em Portugal. E-mail:  cfmartins@observador.pt . O artigo acima foi publicado, originalmente, no Público em Portugal.

Avaliação: França debate a abolição das notas nas escolas

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França debate a abolição das notas nas escolas.

As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero até 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido em uma conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.

Se o projeto for aprovado, caberá ao professor avaliar as capacidades de cada estudante através de conceitos e pareceres individuais. O docente utilizará critérios como o domínio da língua francesa, a capacidade de comunicação, formas e métodos de aprendizado, a postura dos estudantes como cidadãos, sua compreensão e observação do mundo, entre outros.

O objetivo, segundo o Conselho Superior dos Programas, é diminuir as desigualdades, a concorrência, a pressão e estimular os alunos a evoluir nas áreas onde encontram dificuldades. O próprio presidente francês, François Hollande, chegou a classificar o sistema de notas das escolas nacionais como “um castigo” e não como uma forma de avaliar a capacidade dos estudantes.

Para a presidente do Conselho de Avaliação do Sistema Escolar, Nathalie Mons, o sistema atual de avaliação não é justo. “Em algumas escolas, tirar uma nota 12, que está muito próxima da média, não é um bom resultado. Já em estabelecimentos mais exigentes, obter um 12 pode ser considerado ótimo. Ou seja, percebemos que ainda há muita desigualdade nas instituições de ensino”, considera.

  • França debate a abolição das notas nas escolas – Ouvir (07:01)

Atraso nas reformas
Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como Suécia, Dinamarca e Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.

Para Denis Adam, secretário nacional do setor de educação da União dos Sindicatos Autônomos franceses (Unsa) ainda há muita resistência para implementar reformas nas escolas francesas. “Temos um discurso paradoxal sobre isso. Os pais esperam que seus filhos sejam avaliados como quando eles eram estudantes, com a consciência do trauma que isso gerou neles quando recebiam notas ruins”, diz.

Nathalie Mons lembra que não é só a França que é inflexível a mudanças na educação. “Em todos os países que mudaram seu sistema de avaliação foi extremamente complicado realizar um debate na sociedade civil”, ressalta.

O motivo, segundo ela, é que para os pais, a vantagem das notas é que elas mostram objetivamente o desempenho de seus filhos. “Ou seja, se os resultados estão acima de 10, eles estão tranquilos, mas, se as notas estão abaixo da média, há algo de errado. Mas essa clareza é falsa”, garante.

Falta de esclarecimentos
O engenheiro português Pedro David é pai de dois meninos que estudam em escolas francesas. Ele reclama da falta de esclarecimentos sobre o funcionamento do sistema que pretende abolir as notas. “Ainda não entendi muito bem como eles querem aplicar essa reforma. Se for feita uma correspondência exata entre duas escalas de avaliação, não vai servir para nada. Além disso, não acredito que a sociedade francesa vá se adaptar facilmente a esse novo sistema”, confessa.

Nathalie Mons compreende a dificuldade dos pais em relação às mudanças. Para ela, é necessário que a comunicação sobre essas reformas na educação também seja aprimorada. “Se aplicarmos outros tipos de avaliação, é preciso que eles sejam facilmente interpretados pelas famílias. E que algo mais seja feito em termos de informação aos pais sobre a aprendizagem de seus filhos”, estima.

Com informações da RFI.

SEDUC-RS publica edital para 1.393 vagas na Rede Estadual de Educação

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Conforme anunciado em nosso blog, a Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul (SEDUC-RS) publicou hoje, 4/11 no DOE (pág. 28 a 56), edital de concurso público para o quadro de servidores de Escola.

O Concurso Público para Servidor de Escola destina-se ao provimento de 1.393 (um mil trezentos e noventa e três) vagas para os cargos de Agente Educacional I: Técnico em Nutrição; Agente Educacional II: Assistente Financeiro, Técnico em Informática, Administração Escolar, Interação com o Educando e Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais – Libras, relacionados no Anexo I deste Edital, e de vagas que surgirem no decorrer da vigência do Concurso.

>> Veja AQUI o Edital de abertura das inscrições – SEDUC-RS 2014. <<

As inscrições serão efetuadas somente pela Internet, a partir das 10 (dez) horas do dia 04 de novembro até as 23 horas e 59 minutos do dia 17 de novembro de 2014, no site http://www.fundatec.org.br em Concurso Público da SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEDUC/RS.

O valor da taxa de inscrição é de R$ 63,69 (sessenta e três reais e sessenta e nove centavos) para todos os cargos.

 O prazo de validade do concurso ao qual se refere este Edital será de 2 (dois) anos, contados a partir da data de publicação da homologação de seu resultado final, podendo ser prorrogado uma vez por igual período.

Aplicação das Provas Teórico-objetivas: 21/12/2014 .

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ANEXO XI – PROGRAMA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LÍNGUA PORTUGUESA – TODOS OS CARGOS

PROGRAMA:
1. Leitura e compreensão de textos.
1.1. Assunto.
1.2. Estruturação do texto.
1.3. Ideias principais e secundárias.
1.4. Relação entre ideias.
1.5. Ideia central e intenção comunicativa.
1.6. Efeitos de sentido.
1.7. Figuras de Linguagem.
1.8. Recursos de argumentação.
1.9. Coesão e coerência textuais.
2. Léxico.
2.1. Significação das palavras e expressões no texto.
2.2. Substituição de palavras e expressões no texto.
2.3. Estrutura e formação de palavras (valor dos afixos e dos radicais).
3. Ortografia: sistema oficial vigente.
4. Acentuação gráfica e acentuação tônica.
5. Morfologia e Sintaxe.
5.1. Classes de palavras: emprego e flexões.
5.2. Período simples e período composto: colocação de termos e orações no período.
5.3. Coordenação e subordinação: emprego das conjunções, das locuções conjuntivas e dos pronomes
relativos.
5.4. Termos essenciais, integrantes e acessórios da oração.
5.5. Relações morfossintáticas.
5.6. Orações reduzidas: classificação e expansão.
5.7. Concordância nominal e verbal.
5.8. Regência nominal e verbal.
5.9. Paralelismo de regência.
5.10. Sintaxe de colocação.
5.11. Emprego dos modos e tempos verbais.
5.12. Emprego do acento indicativo de crase.
5.13. Sinais de pontuação.
REFERÊNCIAS:
1. BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da Língua Portuguesa. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Ed.
Lucerna, 2006.
2. CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 48. Ed. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 2008.
3. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua portuguesa. 6ª. Ed. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2007.
4. FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. 6ª Ed. São
Paulo: Ática, 2008.
5. HOLLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 5ª Ed. Curitiba: Positivo:
2010.
6. LUFT, Celso Pedro. Dicionário Prático de Regência Nominal. 5ª Ed. São Paulo: Ática, 2010.
7. ____. Dicionário Prático de Regência Verbal. 9ª Ed. São Paulo: Ática, 2010.
8. SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em textos. 2ª Ed. São Paulo: Moderna, 2005.

LEGISLAÇÃO – TODOS OS CARGOS
PROGRAMA:
1. Princípios, objetivos e organização do ensino e da educação no Brasil.
2. Criança e adolescente: direitos e deveres legais.
3. Plano Nacional de Educação 2011/2020.
4. Lei de Gestão Democrática do Ensino Público do Rio Grande do Sul.
5. Igualdade Racial.
6. Violência contra a mulher.

REFERÊNCIAS:
1. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do adolescente. Brasília, DF.
2. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN), Brasília, DF.
3. BRASIL. Plano Nacional de Educação 2011/2020.
4. RIO GRANDE DO SUL. Lei nº 10.576, de 14 de novembro de 1995. (Atualizada até a Lei n.º 13.990, de 15 de maio de 2012). Dispõe sobre a Gestão Democrática do Ensino Público e dá outras providências.
5. Estatuto Racial – Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010.
6. Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006.
7. Estatuto e Regime Único dos Servidores Públicos Civis do Estado – Lei nº 10098, de 03 de fevereiro de 1994 e atualizações.
8. Quadro de Servidores de Escola – Lei nº 11.672/2001 e alterações.
9. Criação de categorias funcionais no Quadro de Servidores de Escola – Lei nº 14.448/2014.
10. Constituição Federal – Capítulo III – Seção 1, art. 205 a 214.
11. Lei Estadual nº 13.694, de 19 de janeiro de 2011 – Estatuto Estadual da Igualdade Racial.

INFORMÁTICA – TODOS OS CARGOS
PROGRAMA:
Conhecimentos do sistema operacional Microsoft Windows Vista Professional, Windows 7 Professional e Windows 8.1 Pro:
1. Saber identificar e usar ambientes, configurações, janelas, componentes das janelas, caixas de diálogos, menus, itens de menus, botões, barras de ferramentas e ícones.
2. Saber identificar e usar as funcionalidades desses sistemas operacionais, tais como, Windows Explorer, Meu Computador, Meus Documentos, Propriedades da barra de tarefas e do menu Iniciar, Documentos compartilhados, Localizar e/ou Pesquisar, Ajuda e Suporte, Painel de Controle, Lixeira, Executar, Ferramentas Administrativas, etc., através de teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, barras de ferramentas e botões.
3. Identificar e saber realizar operações sobre arquivos e pastas: copiar, mover, excluir, recortar, colar,
renomear, etc. Saber identificar e usar nomes válidos de arquivos, pastas e subpastas, através de teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, barras de ferramentas, botões. Conhecimento, uso e configuração dos programas Microsoft Word 2007, Excel 2007, e versões superiores:
4. Saber identificar configurações e formatações de ambientes, documentos e apresentações.
5. Saber criar, usar e configurar ambientes, documentos e apresentações, utilizando as funcionalidades dos aplicativos Microsoft Word 2007 e Excel 2007 e versões superiores, utilizando teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, caixas de diálogos, barras de ferramentas, botões desses programas. Conhecimento, uso e configuração do programa Microsoft Internet Explorer 11 e versões superiores:
6. Identificar os ambientes, características, janelas, configurações, caixas de diálogos, menus, itens de menus, botões e demais componentes do Internet Explorer.
7. Saber utilizar as funcionalidades do Internet Explorer 11, e versões superiores, utilizando teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, ícones das Barras de Ferramentas e do Explorer, caixas de diálogos e botões desse programa.

REFERÊNCIAS:
1. MICROSOFT CORPORATION 1. MICROSOFT CORPORATION. MS Windows Vista Professional, MS Windows 7 Professional e MS Windows 8.1 Pro e versões superiores (Sistema Operacionais e Ajuda eletrônica integrada a esses Sistemas Operacionais).
2. MICROSOFT CORPORATION 2. Ajuda do Microsoft Internet Explorer 11 e versões superiores (Ajuda eletrônica integrada ao Programa MS Internet Explorer 11 e versões superiores).
3. MICROSOFT CORPORATION 3. Ajuda do Microsoft Excel 2007 e versões superiores. (Ajuda eletrônica integrada ao Programa MS Excel 2007 e versões superiores).
4. MICROSOFT CORPORATION 4. Ajuda do Microsoft Word 2007 e versões superiores. (Ajuda eletrônica integrada ao Programa MS Word 2007 e versões superiores).

CONHECIMENTOS GERAIS – TODOS OS CARGOS

PROGRAMA:
1. Dados históricos, geopolíticos e socioeconômicos do município, do estado, do país e do mundo.
2. Fatos relevantes da atualidade no Brasil e no Mundo e suas vinculações históricas.
3. Informações atuais sobre artes, esportes, cultura e meio ambiente no Brasil e Mundo.
4. Política e cidadania no Brasil.

REFERÊNCIAS:
1. Almanaque Abril 2014 – Editora Abril.
2. Guia do Estudante Atualidades – Vestibular + ENEM 1º semestre 2014. Editora Abril.
3. Guia do Estudante Atualidades – Vestibular + ENEM 2º semestre 2014. Editora Abril.
4. Guia do Estudante Atualidades – Vestibular + ENEM 1º semestre 2013. Editora Abril.
5. Guia do Estudante Atualidades – Vestibular + ENEM 2º semestre 2013. Editora Abril.
6. Jornais e revistas da atualidade.

CONHECIMENTO ESPECÍFICO

AGENTE EDUCACIONAL I – TÉCNICO EM NUTRIÇÃO

PROGRAMA:
1. Noções básicas de nutrição.
2. Composição dos Alimentos.
3. Princípios da alimentação saudável.
4. Boas práticas de higiene dos alimentos.
5. Nutrição e Técnica dietética.
6. Controle de qualidade em unidades de alimentação e nutrição.
7. Políticas e diretrizes Nacionais de Alimentação e Nutrição.
8. Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
9. Educação alimentar e nutricional na comunidade escolar.

REFERÊNCIAS:
1. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 216, de 15 de setembro de 2004.
2. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 52, de 29 de setembro de 2014.
3. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Assuntos Jurídicos. Lei nº 11.947 de junho de 2009. Disponível em http://www.fnde.gov.br/programas/alimentacao-escolar/alimentacao-escolar-legislacao.
4. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Conselho Deliberativo. Resolução/CD/FNDE nº 26, de 17 de junho de 2013. Disponível em
http://www.fnde.gov.br/programas/alimentacao-escolar/alimentacao-escolar-legislacao.
5. Conselho Federal de Nutrição. Resolução CFN nº 312/2003. Altera a Resolução CFN nº 227/1999 que trata do registro e fiscalização profissional de técnicos e dá outras providências. Disponível em www.cfn.org.br/novosite/pdf/res/2000 2004/res312.pdf
6. Portaria nº 78 de 2009. Secretária da Saúde do Estado do RS.
7. MAHAN, L. K.; STUMP, S. E. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13. Ed.São Paulo; Editora Rocca, 2013.
8. ABREU, Edeli Simone de. Gestão de unidades de alimentação e nutrição; um modo de fazer. São Paulo: Metha, 2011.
9. Domene, Semiramis M. A. Técnica Dietética: teoria e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
10. Guia alimentar para a população brasileira. Promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
11. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília; DF, 2012.
12. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde na escola. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.96 p.:il – (Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos de Atenção Básica, nº 24). Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad24.pdf .
13. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011 – 2022.
14. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde.Brasília: Ministério da Saúde, 2011. 160 p.:il – (Série B. Textos Básicos de Saúde). Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/cartilha_dcnt_completa_portugues.pdf

CONHECIMENTO ESPECÍFICO

AGENTE EDUCACIONAL II – ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR

PROGRAMA:
1. Conhecimentos sobre as atividades de Secretaria de Escola.
2. Correspondência oficial.
3. Arquivo e protocolo.
4. Organização de arquivos.
5. Escrituração escolar.
6. Documentos escolares individuais e coletivos.
7. Registros relativos ao estabelecimento escolar.
8. Lei n° 9.394, de 20/12/1996 – Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
9. Lei n° 8.069, de 13/07/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente.

REFERÊNCIAS:
1. BRASIL. Lei N.º 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do adolescente Brasília, DF
2. BRASIL. Lei N.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF.
3. BRASIL. Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional – 2005.
4. BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República. Brasília, 2002.
5. BRASIL. Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. Brasília: Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – MEC/CNE/CEB, 2009.
6. KASPARY, Adalberto J. Redação Oficial – Normas e Modelos. Porto Alegre: Edita, 2007.
7. MAZULO, Roseli. Secretária: rotina gerencial, habilidades comportamentais e plano de carreira. São Paulo: Editora Senac, 2010.
8. MEDEIROS, João Bosco e HERNANDES, Sonia. Manual da Secretária –Técnicas de Trabalho. São Paulo, 2010.
9. SOUSA, Rosineide Magalhães de. Técnicas de redação e arquivo. Brasília: Universidade de Brasília, 2007.
10. VEIGA, Denize Rachel. Guia de Secretariado – Técnicas e Comportamento. São Paulo: Érica, 2010.

CONHECIMENTO ESPECÍFICO

AGENTE EDUCACIONAL II – INTERAÇÃO COM O EDUCANDO

PROGRAMA:
1. Concepções e trajetórias do ensino e da educação.
2. Relações entre escola, família e comunidade.
3. Comunicação, diálogo e interação.
4. Escola inclusiva, estrutura e processos.
5. Mediação de conflitos.

REFERÊNCIAS:
1. DELORS, Jacques. Educação: Um Tesouro a Descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. São Paulo: Cortez, 2012.
2. ESTEBAN, Maria Teresa. O que sabe quem erra? Reflexões sobre avaliação e fracasso escolar. Rio de Janeiro, DP&A, 2001.
3. MALDONADO, M. T. Comunicação entre Pais e Filhos: a linguagem do sentir. São Paulo: Saraiva 2002.
4. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/ SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. 2007.
5. TIBA, Içami. Disciplina: limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996
6. BRASIL. Nota Técnica nº 22/2013/MEC/SECADI/DPEE. Profissionais de apoio para estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento matriculados nas escolas comuns da rede pública de ensino.
7. ROPOLI, Edilene Aparecida. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva/Ministério da Educação. Secretaria da Educação Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. V.1 (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).
Download em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&id=17009&itemid=913
8. ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.
9. BREITMAN, Stella;PORTO, Alice C. Mediação Familiar: uma intervenção em busca da paz. Porto Alegre: Criação Humana, 2001.
10. PAROLIN, Isabel. É proibido proibir? Porto Alegre: Mediação, 2003.
11. FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários á prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 30ª Edição 2004.
12. _________. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 35ª Edição, 2003.

CONHECIMENTO ESPECÍFICO

AGENTE EDUCACIONAL II – ASSISTENTE FINANCEIRO

PROGRAMA:
1. A estrutura das Demonstrações Contábeis – Noções básicas e sua interpretação.
2. Noções básicas de Contabilidade: Conceito, função, objeto, contas patrimoniais e de resultado, atos e fatos administrativos.
3. Operações com Mercadorias e Prestadores de Serviços: Escrituração contábil básica, documentação contábil (necessária), orçamentos X realizado, fiscal.
4. Controle dos bens patrimoniais (Ativo Fixo): Contabilização, Inventário, Depreciação/amortização/exaustão, incorporações e baixas, controles internos.
5. Serviços de almoxarifado: Documentação necessária, natureza de um documento idôneo, cuidados no recebimento de mercadoria e serviços prestados, controles internos, inventário.
6. Fluxo de Caixa: Organização do fluxo de caixa financeiro (diário e mensal), fazer projeções, Análise financeira e econômica.
7. Licitações: Conceituação, tipos de licitações, análise da documentação (veracidade), exigências legais.
8. Conciliação de todas as contas contábeis: Documentação necessária, controles internos, arquivamento dos documentos.
9. Aspectos fiscais e legais da Contabilidade.

REFERÊNCIAS:
1. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 26ª ed. ampl. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2009.
2. RIBEIRO, Osni Moura. Estrutura e análise de balanços fácil. 8ª ed. ampl. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2009.
3. lUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Contabilidade Comercial. 9.ed. – São Paulo: Atlas, 2010.
4. SILVA, Alexandre Alcantara da. Estrutura, Análise e Interpretação das Demonstrações Contábeis. Ampliado e revisto conforme Lei nº 11.638/2007 e Lei nº 11.941/2009 e Pronunciamentos do CPC. 3ª edição São Paulo: Atlas, 2012.
5. SZUSTER, Natan; et al. Contabilidade Geral: Introdução à Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas, 2008.
6. PADOVEZE, Clovis Luis. Manual de Contabilidade Básica – Contabilidade Introdutória e intermediária. 8ªedição. São Paulo: Atlas, 2012.
7. IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, E. Rubens. Manual de contabilidade das Sociedades por ações. São Paulo: Atlas, 2012.
8. SANTOS, Jose luiz dos; SCHMIDT, Paulo: Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas.
9. PEREZ JUNIOR, José Hernandez; OLIVEIRA, Luís Martins de. Contabilidade Avançada. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
10. Lei Federal 8.666, de 21 de junho de 1993.
11. FIPECAFI. Manual de Contabilidade Societária: Aplicável a todas as Sociedades de Acordo com as Normas Internacionais e do CPC. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
12. OLIVEIRA, Luís Martins de. Manual de contabilidade tributária. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2012;
13. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2011;
14. Lei Complementar 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências.

CONHECIMENTO ESPECÍFICO

AGENTE EDUCACIONAL II – TÉCNICO EM INFORMÁTICA

PROGRAMA:
Sistemas de Computação:
1. Hardware: fundamentos, conceituação, características, saber empregar e reconhecer o uso de componentes de hardware, funções e funcionamento dos componentes de um computador, instalação, upgrade, manutenção e solução de problemas de computadores do tipos desktop, notebook, netbook e servidores: placa mãe, memória, processador, unidades de entrada e/ou saída (monitor de vídeo, mouse, impressoras jato de tinta, matricial e laser; unidade de DVD-ROM, DVD-R/RW, CD-ROM e CD-R/RW; unidade de disco flexível, disco removível, pen drive, unidade de disco rígido-HD, tecnologia e dispositivos USB, tecnologia e dispositivos fire wire, placa de rede, tecnologia e dispositivos wireless e bluetooth, placa de som, etc.).
Algoritmos
2. Conhecer, elaborar, interpretar e testar algoritmos utilizando o software VisuAlg 2.0 ou superior, empregando as estruturas de controle básicas (seqüência, seleção e repetição), vetores, matrizes, registros, procedimentos e funções.
Linguagens de programação:
3. Saber identificar, interpretar, implementar, compilar, executar e depurar programas utilizando a linguagem de programação Java.
Conceitos de segurança da informação, informática, de computadores e para Internet:
4. Golpes na Internet: Furto de identidade (Identity theft), Fraude de antecipação de recursos (Advance fee fraud), Phishing, Pharming, Golpes de comércio eletrônico, Boato (Hoax) e Prevenção. Ataques na Internet: Varredura em redes (Scan), Falsificação de e-mail (E-mail spoofing), Interceptação de tráfego (Sniffing), Força bruta (Brute force), Desfiguração de página (Defacement), Negação de serviço (DoS e DDoS) e Prevenção. Códigos maliciosos (Malware): Vírus, Worm, Bot e botnet, Spyware, Backdoor, Cavalo de troia (Trojan), Rootkit e Prevenção.
Redes de Computadores e Internet:
5. Conceitos básicos: saber os fundamentos de rede de computadores, tipos de redes, topologias lógica e física, ativos de rede e demais componentes, transmissão de dados e arquiteturas. Instalação, montagem, desmontagem, configuração, administração, identificação de problemas, arquiteturas, solução de problemas e manutenção de redes de computadores. Funções do Administrador de Redes.
6. Cabeamento de redes e cabeamento estruturado: fundamentos, tipos de cabos de rede (par trançado e fibra ótica), identificação, características, construção de cabos de rede, equipamentos utilizados no cabeamento de redes, emprego e instalação, identificação de problemas e reparos; topologias lógica e física de redes. Normas EIA/TIA 568 (A, B e C) e ABNT NBR 14565.
7. Conhecer, saber utilizar, reconhecer as camadas, o uso, vantagens, desvantagens e restrições do modelo OSI, da ISO e TCP/IP (camadas, fundamentos, arquitetura, classes de endereçamento IP, máscara de rede e segmentação de rede).
8. Conhecer, saber utilizar, reconhecer o uso, vantagens, desvantagens e restrições dos protocolos TCP/IP (HTTP, SMTP, FTP, SSH, Telnet, SNMP, POP3, IMAP, DNS, Ping, DHCP, TCP, UDP, IP (IPv4 e IPv6), ARP, RARP, ICMP, Ethernet, WiFi, Frame relay e NAT.
9. Redes LAN, MAN e WAN: conceitos, definições, arquitetura, componentes e topologias. Redes sem fio, domésticas e inter redes: definições, características, equipamentos, componentes, padrões Ethernet, Fast Ethernet e Gigabit Ethernet; rede Ethernet (IEEE 802.3 a IEEE 802.3au) e LAN sem fio (IEEE 802.11a a 802.11ac).
10. Equipamento de comunicação de dados e redes (fundamentos, características, emprego, configuração, instalação, protocolos e reconhecer o uso): modem, repetidor, hub, ponte, switch e roteadores.
11. Fundamentos, configuração, identificação, compartilhamento e gerenciamento de servidores de impressão, arquivos, comunicação, DNS, DHCP, Web e E-mail. Saber utilizar e reconhecer o uso do software Cisco Packet Tracer 5.3 e versões superiores.
12. Saber identificar e usar ambientes, configurações, janelas, componentes das janelas, caixas de diálogos, menus, itens de menus, botões, barras de ferramentas e ícones.
13. Saber identificar e usar as funcionalidades desses sistemas operacionais, tais como, Meu Computador, Meus Documentos, Propriedades da Barra de Tarefas e do Menu Iniciar, Documentos Compartilhados, Localizar e/ou Pesquisar, Ajuda e Suporte, Painel de Controle, Lixeira, Executar, Ferramentas Administrativas, etc., através do teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, barras de ferramentas e botões.
14. Identificar e saber realizar operações sobre arquivos e pastas: copiar, mover, excluir, recortar, colar, renomear, etc. Saber identificar e usar nomes válidos de arquivos, pastas e subpastas, através de teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, barras de ferramentas, botões.
Conhecimento, uso e configuração dos programas Microsoft Word 2007, Excel 2007 e versões superiores, LibreOffice xx ou versões superiores:
15. Saber identificar configurações e formatações de ambientes, documentos e apresentações.
16. Saber criar, usar e configurar ambientes, documentos e apresentações utilizando as funcionalidades dos aplicativos de escritório e versões superiores, utilizando teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, caixas de diálogos, barras de ferramentas, botões desses programas.
Conhecimento, uso e configuração do programa Microsoft Internet Explorer 11 e versões superiores, Google Chrome e Mozilla FireFox:
17. Identificar os ambientes, características, janelas, configurações, caixas de diálogos, menus, itens de menus, botões e demais componentes do Internet Explorer.
18. Saber usar as funcionalidades do Internet Explorer 11, e versões superiores, utilizando teclado e/ou mouse, menus, itens de menus, ícones, ícones das barras de Ferramentas e do Explorer, caixas de diálogo e botões desse programa.

REFERÊNCIAS:
1. MICROSOFT CORPORATION 1. MICROSOFT CORPORATION MS Windows Vista Professional, MS Windows 7 Professional e MS Windows 8.1 Pro e versões superiores (Sistema Operacional e Ajuda Eletrônica integrada a esses Sistemas Operacionais).
2. MICROSOFT CORPORATION 2. Ajuda do Microsoft Internet Explorer 11 e versões superiores (Ajuda eletrônica ao Programa MS Internet Explorer 11 e versões superiores).
3. MICROSOFT CORPORATION 3. Ajuda do Microsoft Excel 2007 e versões superiores. (Ajuda eletrônica integrada ao Programa MS Excel 2007 e versões superiores).
4. CERT.br. Cartilha de Segurança para Internet (Partes de 1 a 14) e Glossário. São Paulo: CERT.br, 2012.
5. CISCO. Cisco Packet Tracer 5.3 e versões superiores – Software de simulação de rede de computadores.
6. DAMAS, Luís. SQL – Structured Query Language. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007.
7. DBDesigner 4. Ferramenta de modelagem de banco de dados.
8. DEITEL, H. M. & DEITEL, P. J. Java, como programar. 8ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.
9. ELMASRI, Ramez; NAVATHE, Shamkant B. Sistemas de Banco de Dados. 6. ed. São Paulo: Pearson Education, 2011.
10. FURGERI Sérgio. Java 2 – Ensino Didático – Desenvolvendo e Implementando Aplicações. 2ª Edição.
São Paulo: Editora Érica, 2002.
11. GREENWALD, Rick; STACKOWIAK, Robert e STERN, Jonathan. Oracle Essencial – Base de Dados Oracle 11g. 4. ed. São Paulo: Alta Books, 2009.
12. HEUSER, Carlos Alberto. Projeto de banco de Dados. 6. ed. Porto Alegre: Instituto de Informática da UFRGS, Sagra Luzzatto, 2010.
13. MEDEIROS, Ernani Sales de. Desenvolvendo Software com UML 2.0: definitivo. São Paulo: Pearson Makron Books, 2004.
14. MELO, Ana Cristina. Desenvolvendo Aplicações com UML 2.0. Rio de Janeiro: Brasport, 2004.
15. MORIMOTO, Carlos Eduardo. Hardware, guia definitivo. Porto Alegre: Sul Editores, 2007.
16. MORIMOTO, Carlos Eduardo. Redes, guia prático. Porto Alegre: Sul Editores, 2008.
17. MYSQL 1. MySQL 5 e versões superiores. Sistema Gerenciador de Banco de Dados e Ajuda eletrônica integrada ao SGBD MySQL 5 e versões superiores).
18. MYSQL 2. MySQL Community 5.6.21, ou versão superior. Sistema Gerenciador de Banco de Dados.
19. NASCIMENTO, Marcelo Brenzink; TAVARES, Alexei Corrêa. Roteadores e Switches – Guia de Configuração para Certificação CCNA. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna, 2006.
20. ORACLE 1. Página eletrônica do Oracle 11g (Resumo, Downloads, Documentação, Saiba mais e Comunidade), ou versão superior.
21. ORACLE 2. Oracle Database Express Edition 11g Release 2. Sistema Gerenciador de Banco de Dados Oracle 11g e versões superiores.
22. PINHEIRO, José Maurício dos S. Guia completo de cabeamento de redes. 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: São Paulo: Editora Campus, 2003.
23. PRESSMAN, Roger S. Engenharia de Software. 5. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2002.
24. SOMMERVILLE, Ian. Engenharia de Software. 9. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
25. SOUSA, Lindeberg Barros de. Projeto e Implementação de Redes – Fundamentos, Arquiteturas, Soluções e Planejamento. São Paulo: Editora Erica, 2007.
26. SOUZA, Marco Aurélio de. SQL, PL/SQL, SQL*Plus – Manual de referência completo e objetivo. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna, 2004.
27. TANENBAUM, Andrew S. Redes de Computadores. 11ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
28. TORRES, Gabriel. Hardware Curso Completo. 4. ed. Rio de Janeiro: Axcel Books, 2001.
29. TORRES, Gabriel. Redes de Computadores Curso Completo. Rio de Janeiro: Axcel Books, 2001.
30. VASCONCELOS, Laércio. Hardware na Prática. 2ª ed. Rio de Janeiro: Laércio Vasconcelos Computação LTDA, 2007.
31. VISUALG. VisuAlg 2.0 e versões superiores (Programa que edita, interpreta e executa algoritmos).
32. WELLING, Luke; THOMSON, Laura. Tutorial MySQL. Rio de Janeiro: Ciência Moderna Ltda., 2004.
33. http://linuxeducacional.c3sl.ufpr.br/LE4/index.html
34. ftp://ftp.ufg.br/Tutoriais/Linux/Apostilas/Apostila_Ubuntu.pdf
35. http://www.guiafoca.org/
36. http://ubuntu-br.org/

CONHECIMENTO ESPECÍFICO

AGENTE EDUCACIONAL II – TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS – LIBRAS

PROGRAMA:
1. Contexto histórico do profissional Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais.
2. Aspectos Linguísticos da Língua de Sinais Brasileira.
3. Código de Ética do Tradutor e Intérprete de Libras.
4. Legislação referente ao profissional Intérprete de Libras.
5. Formação, atribuições e atuação do profissional Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais.
6. O intérprete educacional na Educação Básica.
7. Modelos de Tradução e Interpretação.

REFERÊNCIAS:
1. O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa. Secretaria de Educação Especial; Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos – Brasília: MEC; SEESP, 2004.
2. GESSER, Audrei. Libras? Que língua é essa? 2ª ed. São Paulo: Parábola Editora, 2009.
3. QUADROS, Ronice. Muller. De & KARNOPP, Lodenir. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: ArtMed, 2004.
4. STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Ed. UFSC, 2008.
5. Lei nº 12.319/2010. Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.
6. Lei de Libras nº 10.436/2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências.
7. Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 – Regulamenta a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, e o art. 18 da Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

Com informações de AGORA EAD.

Total de inscritos no Enem atinge recorde de 7,8 milhões

Enem-2013

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, informou hoje (28/5) que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) contabilizou 7.834.024 milhões de inscritos. As inscrições foram encerradas às 23h59 de ontem (27/5). Ao apresentar o número recorde de inscrições no exame, Mercadante disse que há “um tsunami por mais educação ” no país.

O ministro lembrou que nem todos os inscritos efetuaram o pagamento da taxa de inscrição, processo que confirma a participação do candidato no exame e mostra o número de exato de quantos farão a prova. O prazo para o pagamento vai até amanhã (29). O número de inscritos neste exame supera o de candidatos inscritos na edição do ano passado (6,495 milhões) e também o de confirmados em 2012 (que pagaram a taxa de inscrição ou isentos), um total de 5.971.290.

Segundo Mercadante, ontem, o site do Enem chegou a registrar 3 mil inscrições por minuto e 120 mil por hora. Apesar de o site ter sofrido dois ataques de hackers – um pequeno e um médio –, o processo não foi prejudicado, disse o ministro.

O Exame será aplicado nos dias 26 e 27 de outubro em todos os estados e no Distrito Federal. A nota do Enem pode ser usada para classificação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) que oferece vagas em instituições públicas de educação superior e também para concorrer a vagas em instituições privadas de ensino, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni). Uma boa avaliação no Enem é também requisito para obter bolsa no Programa Ciência sem Fronteiras e para receber o benefício do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Os estudantes maiores de 18 anos que ainda não obtiveram a certificação do ensino médio podem fazê-lo por meio do Enem. Eles devem pedir, no ato da inscrição, que o resultado do exame seja usado para a certificação.

O número supera o de candidatos inscritos no ano passado que foi de 6,495 milhões, e também o de confirmados em 2012 (que pagaram a taxa de inscrição ou isentos), um total de 5.971.290.

Com informações da Agência Brasil.

Angel Pérez GÓMEZ: “Novas tecnologias com velhas pedagogias não servem para nada”

No Brasil, o educador espanhol é conhecido principalmente por seu livro em coautoria com o Prof. José Gimeno Sacristán, "Compreender e Transformar o Ensino" (Artmed, 1998).

No Brasil, o educador espanhol é conhecido principalmente por seu livro em coautoria com o Prof. José Gimeno SACRISTÁN, “Compreender e Transformar o Ensino” (Artmed, 1998).

Ou as escolas mudam ou vão desaparecer em pouco tempo, diz Angel Pérez GÓMEZ, professor da Universidade de Málaga, na Espanha. Em suas pesquisas sobre inovação digital, ele procura responder a uma pergunta fundamental para a educação: como adequar as instituições às exigências da era digital? Muito mais do que equipá-las com aparatos tecnológicos, Gómez sugere a reformulação total dos currículos e das metodologias de ensino.

“O mais importante é a pedagogia.
Novas tecnologias com velhas pedagogias não servem para nada.”

compreender-e-transformar-o-ensinoO foco do ensino, defende o pesquisador, deve passar da transmissão de informações para o desenvolvimento de competências, incluindo até o trabalho com atitudes, emoções e valores. Para isso, Goméz propõe uma inversão pedagógica: os alunos devem assistir em casa a vídeos com informações e conceitos e ir à escola para debater, resolver problemas, tirar dúvidas e trabalhar com projetos.

Preocupado com temas de currículo, didática e formação de professores, Angel Pérez Gómez é autor e coautor de 18 livros e mais de 100 artigos acadêmicos. É pedagogo e licenciado em psicologia e filosofia e ciências da educação. Além da docência, também atua como gestor de pesquisas no Ministério da Educação espanhol. Ele virá ao Brasil nesta semana para debater suas propostas com professores e outros especialistas na 20ª Feira Educar, em São Paulo. Em entrevista a ÉPOCA, ele adiantou as principais ideias que levará para o encontro.

ÉPOCA – Que tipos de aprendizagem são essenciais para a era digital? Eles são muito diferentes dos que ensinamos hoje?

Angel Pérez Gómez – Sim, são muito diferentes, porque os sistemas escolares que temos hoje são do século XIX, adaptados às exigências de uma sociedade que não tem nenhuma relação com a atual. A aprendizagem exigida hoje é de ordem superior, e a escola que temos é dedicada a transmitir informação e pedir que os alunos acumulem, retenham e reproduzam informação. Na era digital, a informação é inabarcável e pode ser acessada por qualquer pessoa. É preciso saber processar, reconstruir, organizar e utilizar a informação de maneira crítica e criativa para resolver os problemas de um mundo tão complexo. A evolução é tão rápida e crucial que ou as escolas se adaptam às novas exigências ou vão desaparecer em pouco tempo. Surgirão outras instituições que cumpram esse papel. As escolas têm que se flexibilizar.

ÉPOCA – A memorização perdeu importância?

Gómez – Ela tem importância. Ainda é preciso memorizar dados e códigos básicos usados frequentemente. Por exemplo, no caso da linguagem, temos de memorizar um vocabulário extenso. Mas, em outras situações, isso não faz sentido. Na Espanha, as aulas de geografia ainda cobram os nomes dos rios que passam pelas capitais europeias. Se há necessidade de saber isso, vamos a uma enciclopédia digital. O desafio da escola atual é formar mentes que saibam pensar, orientar-se, tomar decisões e atuar.

ÉPOCA – De que maneira a escola pode ajudar a formar esse pensamento crítico e criativo?

Gómez – A melhor maneira de fazer isso é substituir um currículo fragmentado em disciplinas por um currículo centrado em problemas. O que temos que trabalhar são os problemas da vida cotidiana. O importante é recorrer a conceitos da matemática, da física, da geografia, entre outros, para entender e resolver problemas. Um currículo do tipo requer um ensino interdisciplinar e muito mais ativo. O aluno tem que ir à escola para fazer coisas – não apenas escutar e repetir. Ele tem que fazer projetos, debater, pensar, criar. É preciso inverter a metodologia didática. O professor pode gravar vídeos com informações e conceitos e colocá-los na internet, para que o aluno lhes assista em casa, quando quiser e quantas vezes quiser. Depois, na escola, ele vai tirar dúvidas e trabalhar em grupos.

ÉPOCA – Esse currículo tem competências básicas ou elas são flexíveis?

Gómez – Existem apenas três competências básicas, que são válidas para todos os estudantes: ser capaz de utilizar de maneira crítica e criativa o conhecimento da humanidade; ser capaz de colaborar e conviver em sociedades cada vez mais heterogêneas; e ser capaz de desenvolver-se com autonomia, aprender a aprender. Se falamos de capacidades e habilidades mais concretas, há flexibilidade. A criança pode escolher aquelas em que se sobressai, as que têm relação com suas maneiras de pensar, seus interesses e ânimos. A personalização do ensino é importante.

ÉPOCA – Também é papel da escola ensinar valores e atitudes?

Gómez – Não podemos prescindir de nenhum desses cinco recursos para enfrentar problemas: conhecimentos, habilidades, atitudes, emoções e valores. Os valores significam as finalidades, para onde queremos ir. Como construir seu próprio projeto de vida? A escola também deve dar conta disso. Sem se preocupar com as emoções, as atitudes e os valores, ela é muito pouco eficaz na preparação das crianças para a vida. Hoje, ela leva muito tempo para ensinar conteúdos que são esquecidos rapidamente.

ÉPOCA – No Brasil, é muito comum pensar que emoções e valores devem ser trabalhados pela família e não pela escola.

Gómez – Toda a comunidade educativa tem que intervir de maneira harmônica e convergente para educar uma criança. A família tem um papel importantíssimo, assim como a escola, mas nem sempre ela está preparada para ajudar seus filhos a desenvolver sua inteligência emocional e comparar seus valores. Especialistas devem fazer isso na escola, orientando os pais no processo de construção de um menino mais sensato, crítico, equilibrado, solidário etc. A maioria dos pais e das mães não sabe como orientar os filhos em determinados assuntos. Como vão orientar para emoções, valores e atitudes se a maioria dos intercâmbios entre os jovens ocorre agora pela internet, nas redes sociais? É mundo complexo e muito distante do mundo dos adultos. E eles reconhecem isso.

ÉPOCA – O senhor fala em dar mais autonomia para os estudantes no processo de aprendizagem. Qual, então, passa a ser o papel do professor?

Gómez – O professor deve passar de ser um transmissor de informação para um facilitador da aprendizagem. Deve ser um tutor permanente para as crianças. Primeiro, deve ensinar com seu exemplo como buscar, selecionar e avaliar as informações. É uma missão mais difícil e complexa.

ÉPOCA – Algumas escolas dão muita importância aos aparatos tecnológicos. Eles são fundamentais?

Gómez – Para mim, o mais importante é a pedagogia usada com as novas tecnologias. Novas tecnologias com velhas pedagogias não servem para nada. O mais importante é que o professor esteja preparado para usar bem essas poderosíssimas ferramentas ao serviço de novas pedagogias que ajudam as crianças a aprender. Estados e municípios deveriam focar seus esforços na melhor qualificação dos seus docentes.

ÉPOCA – Atualmente há um descontentamento geral em torno da escola. O que impede as mudanças? Quais são as barreiras?

Gómez – Nós temos que mudar a cultura pedagógica e isso leva muito tempo. Todos os professores foram formados nessa escola do século XIX. Ensinamos como nos ensinaram. Custa muitíssimo pensar que outro tipo de escola é possível – e mais eficaz. Mas não é uma tarefa difícil para os docentes assumir essa inversão pedagógica, também chamada de flipped learning, e isso pode significar uma alteração muito profunda.

Fonte: Revista Época.

ENEM 2013: Passo a passo reúne dicas para inscrição no Exame

Os estudantes que têm dúvidas sobre como fazer a inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem consultar um passo a passo com orientações detalhadas que o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou na internet. As dicas estão na página do Enem.

Os candidatos vão encontrar orientações sobre como preencher as informações referentes à situação escolar de quem já concluiu o ensino médio e quem ainda está cursando essa etapa, assim como sobre como fazer a opção de idioma da prova de língua estrangeira, escolher o município onde quer prestar o exame e informar os dados socioeconômicos. Também há explicações para ajudar o candidato que precisa de atendimento diferenciado nos dias da prova.

site indica como confirmar e acompanhar a inscrição e traz informações sobre o envio do cartão de confirmação, além da data, distribuição e duração das provas. Entre as dicas para os estudantes está verificar com antecedência, na página de acompanhamento do Enem, a validação da inscrição e o local das provas.

Enem-2013

Leia também:

As inscrições para o Enem terminam no dia 27/5. As provas serão aplicadas nos dias 26 e 27 de outubro em todos os estados e no Distrito Federal. Pode se inscrever no exame quem já concluiu ou vai concluir o ensino médio até o fim de 2013.

O endereço é o http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricaoEnem.

Para fazer a inscrição, o candidato deve ter em mãos os números do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e do documento de identidade. Será cobrada uma taxa de R$ 35 que deve ser paga até o dia 29 de maio. Estudantes que concluírem o ensino médio em escolas públicas no ano de 2013 e participantes com renda mensal per capita de até 1,5 salário mínimo estão isentos da taxa. Aqueles que solicitarem a isenção deverão dispor dos documentos que comprovem a renda.

Com informações da Agência Brasil.

Dilma envia ao Congresso proposta de destinar 100% dos royalties para EDUCAÇÃO

10%Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O projeto de lei que trata da destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação foi enviado pelo governo para o Congresso. Com a destinação exclusiva da verba no setor, o governo pretende cumprir a meta de investir 10% do PIB na educação.

Em mensagem presidencial publicada em edição extra do Diário Oficial da União, o governo informou hoje (2/5) que encaminhou ao Congresso Nacional o projeto de lei que trata da destinação exclusiva dos royalties, participações especiais do petróleo e recursos do pré-sal para investimentos em educação.

Apesar de publicada hoje, a mensagem tem data de 30 de abril. Ontem (1º/5), durante pronunciamento oficial, em rede nacional de rádio e TV, em comemoração ao Dia do Trabalho, a presidenta Dilma Rousseff disse que já havia enviado a proposta ao Legislativo.

Com a aplicação de 100% dos royalties do petróleo na educação, o governo espera cumprir a meta do Plano Nacional de Educação de investir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor.

Segundo Dilma, trata-se da “mais decisiva” entre todas as medidas que estão sendo executadas ou em discussão sobre o tema no governo. “O Brasil vai continuar usando instrumentos eficazes para ampliar o emprego, o salário e o poder de compra do trabalhador, mas a partir de agora vai privilegiar como nunca um instrumento que mais amplia o emprego e o salário: a educação”, disse durante o pronunciamento.

Com informações da Agência Brasil.

Por que as cotas raciais deram certo no Brasil

cotassim

Política de inclusão de negros nas universidades melhorou a qualidade do ensino e reduziu os índices de evasão. Acima de tudo, está transformando a vida de milhares de brasileiros

Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso | ISTOÉ Edição 2264

Antes de pedalar pelas ruas de Amsterdã com uma bicicleta vermelha e um sorriso largo, como fez na tarde da quarta-feira da semana passada, Ícaro Luís Vidal dos Santos, 25 anos, percorreu um caminho duro, mas que poderia ter sido bem mais tortuoso. Talvez intransponível  Ele foi o primeiro cotista negro a entrar na Faculdade de Medicina da Federal da Bahia. Formando da turma de 2011, Ícaro trabalha como clínico geral em um hospital de Salvador. A foto ao lado celebra a alegria de alguém que tinha tudo para não estar ali. É que, no Brasil, a cor da pele determina as chances de uma pessoa chegar à universidade. Para pobres e alunos de escolas públicas, também são poucas as rotas disponíveis. Como tantos outros, Ícaro reúne várias barreiras numa só pessoa: sempre frequentou colégio gratuito, sempre foi pobre – e é negro. Mesmo assim, sua história é diferente. Contra todas as probabilidades, tornou-se doutor diplomado, com dinheiro suficiente para cruzar o Atlântico e saborear a primeira viagem internacional. Sem a política de cotas, ele teria passado os últimos dias pedalando nas pontes erguidas sobre os canais de Amsterdã? Impossível dizer com certeza, mas a resposta lógica seria “não”.

Desde que o primeiro aluno negro ingressou em uma universidade pública pelo sistema de cotas, há dez anos, muita bobagem foi dita por aí. Os críticos ferozes afirmaram que o modelo rebaixaria o  nível educacional e degradaria as universidades. Eles também disseram que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo de seus colegas mais iluminados e isso resultaria na desistência dos negros e pobres beneficiados pelos programas de inclusão. Os arautos do pessimismo profetizaram discrepâncias do próprio vestibular, pois os cotistas seriam aprovados com notas vexatórias se comparadas com o desempenho da turma considerada mais capaz. Para os apocalípticos, o sistema de cotas culminaria numa decrepitude completa: o ódio racial seria instalado nas salas de aula universitárias, enquanto negros e brancos construiriam muros imaginários entre si. A segregação venceria e a mediocridade dos cotistas acabaria de vez com o mundo acadêmico brasileiro. Mas, surpresa: nada disso aconteceu. Um por um, todos os argumentos foram derrotados pela simples constatação da realidade. “Até agora, nenhuma das justificativas das pessoas contrárias às cotas se mostrou verdadeira”, diz Ricardo Vieiralves de Castro, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Merecem, sim, frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, que é o princípio de tudo, os cotistas estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. ISTOÉ entrevistou educadores e todos disseram que essa distância é mais do que razoável. Na verdade, é quase nada. Se em uma disciplina tão concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que estudaram em colégios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas públicas, então é justo supor que a diferença mínima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos. Depende só da disposição do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais conceituadas do País, os resultados do último vestibular surpreenderam. “A maior diferença entre as notas de ingresso de cotistas e não cotistas foi observada no curso de economia”, diz Ângela Rocha, pró-reitora da UFRJ. “Mesmo assim, essa distância foi de 11%, o que, estatisticamente, não é significativo.”

Por ser recente, o sistema de cotas para negros carece de estudos que reúnam dados gerais do conjunto de universidades brasileiras. Mesmo analisados separadamente, eles trazem respostas extraordinárias. É de se imaginar que os alunos oriundos de colégios privados tenham, na universidade, desempenho muito acima de seus pares cotistas. Afinal, eles tiveram uma educação exemplar, amparada em mensalidades que custam pequenas fortunas. Mas a esperada superioridade estudantil dos não cotistas está longe de ser verdade. A Uerj analisou as notas de seus alunos durante 5 anos. Os negros tiraram, em média, 6,41. Já os não cotistas marcaram 6,37 pontos. Caso isolado? De jeito nenhum. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também é referência no País, uma pesquisa demonstrou que, em 33 dos 64 cursos analisados, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um sistema parecido com as cotas tiveram performance melhor do que os não beneficiados. E ninguém está falando aqui de disciplinas sem prestígio. Em engenharia de computação, uma das novas fronteiras do mercado de trabalho, os estudantes negros, pobres e que frequentaram escolas públicas tiraram, no terceiro semestre, média de 6,8, contra 6,1 dos demais. Em física, um bicho de sete cabeças para a maioria das pessoas, o primeiro grupo cravou 5,4 pontos, mais dos que os 4,1 dos outros (o que dá uma diferença espantosa de 32%).

Em um relatório interno, a Unicamp avaliou que seu programa para pobres e negros resultou em um bônus inesperado. “Além de promover a inclusão social e étnica, obtivemos um ganho acadêmico”, diz o texto. Ora, os pessimistas não diziam que os alunos favorecidos pelas cotas acabariam com a meritocracia? Não afirmavam que a qualidade das universidades seria colocada em xeque? Por uma sublime ironia, foi o inverso que aconteceu. E se a diferença entre cotistas e não cotistas fosse realmente grande, significaria que os programas de inclusão estariam condenados ao fracasso? Esse tipo de análise é igualmente discutível. “Em um País tão desigual quanto o Brasil, falar em meritocracia não faz sentido”, diz Nelson Inocêncio, coordenador do núcleo de estudos afrobrasileiros da UnB. “Com as cotas, não é o mérito que se deve discutir, mas, sim, a questão da oportunidade.” Ricardo Vieiralves de Castro fala do dever intrínseco das universidades em, afinal, transformar  seus alunos – mesmo que cheguem à sala de aula com deficiências de aprendizado. “Se você não acredita que a educação é um processo modificador e civilizatório, que o conhecimento é capaz de provocar grandes mudanças, não faz sentido existir professores.” Não faz sentido existir nem sequer universidade.

Mas o que explica o desempenho estudantil eficiente dos cotistas? “Os alunos do modelo de inclusão são sobreviventes, aqueles que sempre foram os melhores de sua turma”, diz Maurício Kleinke, coordenador-executivo do vestibular da Unicamp. Kleinke faz uma análise interessante do fenômeno. “Eles querem, acima de tudo, mostrar para os outros que são capazes e, por isso, se esforçam mais.” Segundo o professor da Unicamp, os mais favorecidos sabem que, se tudo der errado na universidade, podem simplesmente deixar o curso e voltar para os braços firmes e seguros de seus pais. Para os negros e pobres, é diferente. “Eles não sofrem da crise existencial que afeta muitos alunos universitários e que faz com que estes desistam do curso para tentar qualquer outra coisa.” Advogado que entrou na PUC do Rio por meio de um sistema de cotas, Renato Ferreira dos Santos concorda com essa teoria. “Nós, negros, não podemos fazer corpo mole na universidade”, diz. Também professor do departamento de psicologia da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro vai além. “Há um esforço diferenciado do aluno cotista, que agarra essa oportunidade como uma chance de vida”, diz o educador. “Ele faz um esforço pessoal de superação.” Esse empenho, diz o especialista, é detectável a cada período estudantil. “O cotista começa a universidade com uma performance mediana, mas depois se iguala ao não cotista e, por fim, o supera em muitos casos.”

O cotista não desiste. Se desistir, terá de voltar ao passado e enfrentar a falta de oportunidades que a vida ofereceu. Por isso, os índices de evasão dos alunos dos programas de inclusão são baixos e, em diversas universidades, até inferiores aos dos não cotistas. Para os críticos teimosos, que achavam que as cotas não teriam efeito positivo, o que se observa é a inserção maior de negros no mercado de trabalho. “Fizemos uma avaliação com 500 cotistas e descobrimos que 91% deles estão empregados em diversas carreiras, até naquelas que têm mais dificuldade para empregar”, diz Ricardo Vieiralves de Castro. Com o diploma em mãos, os negros alcançam postos de melhor remuneração, o que, por sua vez, significa uma chance de transformação para o seu grupo social. Não é difícil imaginar como os filhos dos cotistas terão uma vida mais confortável – e de mais oportunidades – do que seus pais jamais tiveram.

Por mais que os críticos gritem contra o sistema de cotas, a realidade nua e crua é que ele tem gerado uma série de efeitos positivos. Hoje, os negros estão mais presentes no ambiente universitário. Há 15 anos, apenas 2% deles tinham ensino superior concluído. Hoje, o índice triplicou para 6%. Ou seja: até outro dia, as salas de aula das universidades brasileiras lembravam mais a Suécia do que o próprio Brasil. Apesar da evolução, o percentual é ridículo. Afinal de contas, praticamente a metade dos brasileiros é negra ou parda. Nos Estados Unidos, a porcentagem da população chamada afrodescendente corresponde exatamente à participação dela nas universidades: 13%. Quem diz que não existe racismo no Brasil está enganado ou fala isso de má-fé. Nos Estados Unidos, veem-se negros ocupando o mesmo espaço dos brancos – nos shoppings, nos restaurantes bacanas, no aeroporto, na televisão, nos cargos de chefia. No Brasil, a classe média branca raramente convive com pessoas de uma cor de pele diferente da sua e talvez isso explique por que muita gente refuta os programas de cotas raciais. No fundo, o que muitos brancos temem é que os negros ocupem o seu lugar ou o de seus filhos na universidade. Não há outra palavra para expressar isso a não ser racismo.

Com a aprovação recente, pelo Senado, do projeto que regulamenta o sistema de cotas nas universidades federais (e que prevê que até 2016 25% do total de vagas seja destinado aos estudantes negros), as próximas gerações vão conhecer uma transformação ainda mais profunda. Os negros terão, enfim, as condições ideais para anular os impedimentos que há 205 anos, desde a fundação da primeira faculdade brasileira, os afastavam do ensino superior. Por mais que os críticos se assustem com essa mudança, ela é justa por fazer uma devida reparação. “São muitos anos de escravidão para poucos anos de cotas”, diz o pedagogo Jorge Alberto Saboya, que fez sua tese de doutorado sobre o sistema de inclusão no ensino superior. Acima de tudo, são muitos anos de preconceito. Como se elimina isso? “Não se combate o racismo com palavras”, diz o sociólogo Muniz Sodré, pesquisador da UFRJ. “O que combate o racismo é a proximidade entre as diferenças.” Não é a proximidade entre as diferenças o que, afinal, promove o sistema de cotas brasileiro?

Com informações da ISTOÉ. Fotos: Arquivo pessoal; Adriano Machado/Ag. Istoé; Ana Carolina Fernandes; Orestes Locatel; Link Photodesign