A atualidade da “Alegoria da Caverna” de Platão

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“Depois disto — prossegui eu — imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no gênero dos tapumes que os homens dos «robertos» [“exibidores de marionetas ou títeres”] colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles“. Livro VII da República (Πολιτεία) de Platão. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, p. 315.

O “Mito da Caverna”, ou “Alegoria da Caverna”, foi escrito pelo filósofo Platão e está contido em “A República”, no livro VII. Os especialistas consideram um dos últimos textos escritos pelo filósofo, antes de sua morte em Atenas no ano de 348/347 a.C. Na alegoria narra-se o diálogo de Sócrates com Glauco e Adimato. É um dos textos mais lidos no mundo filosófico.

Com essa alegoria de redobrado interesse para a iniciação órfica do filósofo, Platão divide basicamente o mundo em duas realidades: a sensível, apercebida pelos sentidos, e a inteligível (o mundo das ideias). O primeiro é o mundo da “imperfeição” e o segundo encontraria toda a verdade possível para o homem. Assim, o filósofo deveria buscar o “mundo das ideias” para que consiga atingir o bem maior para sua vida.

De resto fica a certeza que a Filosofia é, antes de mais nada, é um convite permanente à reflexão.

Curiosidades: Os termos relativos a “caverna” geralmente utilizam a raiz espeleo-, derivada do latim spelaeum, originada do grego σπήλαιον, “caverna”, da mesma raiz da palavra “espelunca“.

E por falar dos «robertos» (que são tão espertos!)…

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